quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Análise do Apagão - 2001
Jarbas Oliveira
Devido a recente falta de energia elétrica que deixou às escuras diversos pontos do país, com concentração maior no sudeste, o assunto “Apagão” voltou a ser amplamente discutido, tanto nas mídias quanto nos meios políticos, e também nas Universidades, inclusive ressuscitando o apagão de 2001.
Na Universidade pediram-nos para elaborar um trabalho que mostrasse o comportamento dos responsáveis na pré-crise, crise e pós-crise relacionado ao acontecimento de 2001.
Para isso, naveguei por diversos sítios e blogues em busca de informações sobre o tema “Apagão 2001” e, indefinidos são os números de inserções, porém, nos que tive acesso mostraram-se parciais, ora quanto à defesa, ora quanto à acusação. Preocuparam-se, muito mais, em encontrar culpados do que causas.
Parece que o “Apagão 2001“ ressuscitou, depois do ocorrido em novembro próximo passado. Fazem, agora, um paralelo entre os dois casos, só que continuam buscando culpados e não as causas.
O tema virou discurso político. No primeiro caso, os opositores dizem que ocorreu foi por falta de investimentos, enquanto os outros afirmam que a causa foi por falta de chuvas; no caso recente, esse quadro se inverteu. Quem era acusador em 2001 passou a defender em 2009, e vice-versa.
Acessei o blogue do Luiz Nassif e lá encontrei uma matéria assinada pelo “Stanley Burburinho”, onde ele faz uma retrospectiva (de 1995 a 2001) relacionando os alertas aos problemas energéticos.
Nessa mesma matéria, Burburinho apresenta uma entrevista com o professor Ildo Sauer da Universidade de São Paulo, engenheiro especialista na área, na qual ele classificou de “irresponsável” a política energética do governo federal, e disse que não foi a falta de chuvas que provocou o colapso.
[…] “Precisamos desmascarar a grande mentira do governo de que vai faltar energia porque não choveu. Faltaram investimentos. No ano passado fizemos uma palestra na Câmara dos Deputados mostrando os riscos de um colapso energético, porém o diretor da Operadora Nacional de Sistemas (ONS) disse que não teria problemas porque iria chover”, (Ildo Sauder).
Buruburinho continua:
[...] Sauder criticou acidamente as medidas anunciadas pelo governo para reduzir o consumo energético em 20%. “As medidas rasgam a constituição, não têm sustentação jurídica. O tarifaço é injustificado e castiga a população. É pior que um castigo físico”.
Até então, acordava plenamente com a idéia do texto, e via na retrospectiva a pré-crise e no apagão a crise e nas medidas tomadas, a pós-crise do nosso caso. Porém, a veemente crítica às medidas de redução do consumo energético me fez acordar, empinar as orelhas, e, antes de seguir adiante, buscar e conhecer melhor o autor da ácidas críticas.
Não fiquei surpreso, pelo contrário até me arrepiei com raiva de mim mesmo, por causa da mania que tenho de acreditar em tudo que leio, até que se prove o contrário.
E não foi sem razão a minha busca à biografia do autor, pois o parecer, que para mim parecia coberto de conhecimentos técnicos, evaporou-se como a própria energia nos apagões.
O nobre especialista se declarou seguidor do PT, já naquela época. Ou seja, o parecer que deveria ser técnico perdeu a razão e passou a ser partidário. Mas, quando foi que ele fez essa declaração de amor ao PT? Exatamente (no segundo mandato do PT) por ocasião da sua “saída” do cargo de diretor da Petrobrás:
“Fiquei na Diretoria de Gás e Energia da Petrobras quatro anos e oito meses. Mas acompanho essa área há quase duas décadas como militante do Partido dos Trabalhadores e em boa parte do tempo também como colaborador do Instituto Cidadania, que assessorou o presidente Lula em suas campanhas pela Presidência”. Declarou o militante.
Agora, após o incidente do apagão 2009, Sauder retorna à mídia para tecer novamente seu parecer “técnico” sobre o assunto, conforme entrevista publicada no sitio Terra Magazine:
“Falar que foi um evento climático, não justifica nada, é uma explicação furada, porque os componentes do sistema são feitos para aguentar" (Ildo Sauder).
Segundo o redator de Terra Magazine, para Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras e um dos diretores do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), a falha está na "gestão e coordenação" do Ministério de Minas e Energia, comandado por Edison Lobão, antecedido por Silas Rondeau e Dilma Rousseff, hoje ministra chefe da Casa Civil. Sauer acredita que a "gestão do sistema de energia precisa ser revista". E defende que a ministra Dilma deveria ter feito isso em 2003 e 2004 para sanar falhas deixadas pelo governo FHC em Energia.
“O problema está na coordenação muito tênue que existe em Brasília, que já existia no governo anterior, mas que não foi reformada o suficiente neste governo. A reforma de 2003-2004 era a hora de revisar todos esse problemas, como o do abuso tarifário, que é leniência da regulação com o poder do governo, a falta de confiabilidade e o benefício dado à especulação.”
Finalizando, gostaria muito de poder analisar friamente a crise energética brasileira, de 2001, mas se o próprio Sauder, especialista nessa área, entende que até o momento a tão necessária reforma do setor ainda não foi realizada, resta-nos “acreditar” que a crise continua. Só que, desde aquela época, ela foi transformada em discursos eleitoreiros, por políticos e/ou partidários; e o interessante é que ela (a crise) sempre precede ao pleito eleitoral.
Opinião - Mídia, Sociedade e Poder
Mídia, Sociedade e Poder.
Jarbas Oliveira
Pediram-me para opinar sobre “Mídia, Sociedade e Poder”. Passei algumas horas, desta semana, pensando no assunto, até havia comentado os discursos de Franklin Martins, Tereza Cruvinel e Luiz Nassif. Mas, uma coisa é analisar e criticar as opiniões dos outros, outra é mostrar a nossa. É aquela história: Numa você é o estilingue, noutra, você é a vidraça.
Faltou-me inspiração; enrolei o tempo, e neste domingo (20), para arejar a cabeça, fui a um haras restaurante almoçar com minha esposa, filhos e netos. Retornamos por volta das 14h; eu disse a ela: vou tirar uma soneca e depois sentar ao computador e escrever um pouco. Ela perguntou: escrever o quê? Uma atividade da pós - respondi. Então – ela disse -, vou até a casa de a minha irmã, para combinar as festividades do natal.
Acordei com o ranger do controle remoto; era ela, deitada ao meu lado, trocando de canais na TV; olhei para o relógio da cabeceira e já se passaram 2h.
Penso que sonhei com isso, pois bastou vê-la com o controle às mãos e me veio um estalo. É isto aí! - pensei novamente -. Lá está a mídia; aqui a sociedade e no controle remoto a ferramenta que nos dá o poder de assistir ou não assistir o programa que se nos apresenta.
Perguntei-a: o que você está vendo? Nada! E já passei todos os canais – respondeu e continuou: os filmes estão pela metade e, quase todos, contêm violência; é uma matança sem fim; não gosto de ver filmes violentos, e, pior ainda, já começados; esporte: também não gosto, canais de notícias eu até gosto, mas as notícias de hoje são as mesmas anunciadas ontem. E finalizou: como hoje não passa novela, vou assistir a um programa de auditório, até chegar o momento de irmos para a missa. Esta eu tenho certeza que é igualzinha às outras, mas me enche o coração.
Falou e disse Dona Ana Maria!
Fiquei novamente a pensar: de que adianta ter o poder do controle remoto nas mãos se não podemos escolher o conteúdo do programa e a hora que o queremos ver.
Lembrei-me, então, do DVD, e até de perguntá-la, se não queria ir a uma locadora buscar algo que lhe interessasse, mas não ousei contrariar a mim mesmo. Por quê? Porque pagamos, mensalmente, uma assinatura de “TV fechada”, que nos oferece mais de setenta canais – nacional e internacional -, com variados programas, e, se nenhum deles nos chama a atenção é porque, ou são todos ruins, ou nós é que estamos cansados desta mesmice de ficar alienado à frente do aparelho.
Pensei, ainda, pedi-la para desligar a televisão, e irmos fazer alguma visita, mas logo desisti, não sou muito de visita; ademais era capaz de ao chegarmos à casa de alguém, que, também, estivesse assistindo TV. De mais a mais, eu precisava terminar essa atividade.
Portanto, vou concluir opinando:
Se, tecnologicamente, for possível, melhor será que as mídias ofereçam ao telespectador, o poder para escolher o programa e o momento de iniciá-lo; ou seja, gerar transmissões simultâneas, mas também personalizadas.
Se assim fosse, a minha esposa poderia assistir ao filme, à novela, ou programa que quisesse, na hora que desejasse.
Já pensou?! A gente chega, mas o jogo já começou; aí, a gente aciona um botão no controle remoto e o jogo retorna ao seu início. A transmissão, como já disse, seria simultânea para uns e personalizadas para outros. Isto sim, é plural e democrático.
O chato disso, porém, é que no caso do futebol, na casa ou apartamento ao lado, o vizinho pode já estar comemorando o gol. Aí, minha amiga, meu amigo, será como se estivéssemos assistindo a um filme e, ao nosso redor, um gaiato contando as próximas cenas. Ainda, assim, é melhor do que não poder escolher, porque, no gaiato, a gente pode dar um jeito.
Quanto ao Poder Governamental, sou de opinião de que não deveria intrometer a não ser em casos de real insurreição à segurança do país.
No mais, penso ser o bastante a criação de organismos de controle do conteúdo colocado às vistas e audições públicas, pois, caso exista, não parece, haja vista as aberrações nos palavreados e nas imagens sem qualquer pudor e em horários expostos a crianças e adolescentes.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo! Repletos de Paz e muita sabedoria.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Mídia e Poder
Mídia e Poder
Antes de comentarmos os textos de Franklin Martins, Tereza Cruvinel e Luiz Nassif - SEMINÁRIO V: MÍDIA E PODER - A CONSTRUÇÃO DA VONTADE COLETIVA - teceremos um paralelo, em busca de pontos comuns, entre essas estrelas do jornalismo, se, por ventura, existente entre eles. Para isso vejamos seus micros currículos:
Franklin Martins - Trabalhou no jornal Hora do Povo, repórter do “Indicador Rural”, O Globo, Jornal do Brasil, SBT, Estado de São Paulo. Foi correspondente do Jornal do Brasil em Londres. No Jornal O Globo foi repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília. Escreveu nas revistas República e Época. Também foi comentarista político da TV Globo, da Globonews, CBN. e da Rádio Bandeirantes. É autor do livro Jornalismo político (Contexto, 2005). Atualmente é Ministro da Secretaria da Comunicação Social.
Tereza Cruvinel - É jornalista, formada pela Universidade de Brasília (UnB), e mestre em Comunicação Social, com orientação para Mídia e Política, pela mesma Universidade. Trabalhou na TV Brasília, no Jornal de Brasília, no Correio Braziliensem, no Jornal do Brasil e O Globo. Atualmente é Diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil.
Luís Nassif é jornalista, cronista e músico. Foi colunista e membro do conselho editorial
da Folha de S. Paulo. É membro do Conselho do Instituto de Estudos Avançados da USP e do Conselho de Economia da FIESP. Autor do livro de crônicas Menino de São Benedito (SENAC, 2001), de O Jornalismo dos anos 90 (Ed. Futura, 2003), Os cabeça-de-planilha (Ediouro, 2007). Atualmente é Diretor-presidente da “Agência Dinheiro Vivo”.
Nota-se que além da profissão, os três jornalistas passaram pelos quadros laborais de grandes meios de comunicação existentes no país, os quais, certamente, contribuíram para avolumar suas bagagens profissionais - conhecimento, experiência, aprendizado e evolução profissional -, a ponto de capacitá-los para exercerem, hoje, cargos executivos de alto-escalão. Evidentemente nada disso seria possível se não houvesse a inteligência, o profissionalismo, objetivo, ambição e, principalmente, o instinto de liderança a eles peculiar. Ninguém é Ministro de Estado ou Presidente de empresa, por acaso. Ou é?
Quis fazer esse comentário sobre os três jornalistas para, agora, poder acordar ou discordar do conteúdo dos textos por eles escritos a respeito do tema - A Mídia e o Poder, conforme segue:
Inicio os meus comentários a partir do texto de Franklin Martins, opinando sobre a frase:
“Não é o governo que cria a mídia. Quem cria a mídia é a sociedade” (Franklin Martins).
E, para variar, vou concordar em parte com o nobre jornalista e ministro, considerando que, em que pese alguns meios de comunicação (TV e Rádio) depender de concessões do governo, não é o governo quem decide o que, quando, onde, e como as informações serão divulgadas, já que, tal competência é exclusiva da diretoria editorial. Contudo, vejo a sociedade, muito mais como motivadora da mídia do que criadora, como sugere o Franklin.
Eu explico. Sem o leitor, ouvinte ou telespectador, a mídia fica sem a razão de ser. A mídia, na verdade, publica o que se pensa ser mais “interessante” para a maioria dos receptores. As aspas se devem ao fato que a curiosidade quase sempre sobrepõe à razão, e o interessante pode não ser a melhor informação, mas a mais desejada, ou seja, a que vende mais.
Quanto ao poder consignado à mídia, penso originar-se da própria democracia que permite que cada um, dentro dos ditames legais, produza da melhor forma possível, tudo aquilo que lhe possa trazer retorno. E os meios de comunicação, enquanto empresas, não são diferentes, objetivam o lucro, e por isso, procuram produzir informações que atendam a um número maior de receptores, já que não são apenas os receptores que estão em jogo, mas principalmente os anunciantes.
E onde está o poder da mídia? Penso que o poder da mídia está na persuasão, o que não é fácil. Primeiro porque é preciso informar de maneira convincente, e segundo e principal, porque é preciso ter público, pois já disse e repito: sem público não há mídia.
Agora, esse negócio que a internet está democratizando a mídia, para mim, é coisa para inglês ver, e só não acredita quem não quer. Tal como no papel ou na TV, os blogs são como jornais do interior, com pouca informação e menor ainda a participação, enquanto os já conhecidos meios de comunicação centralizam e dominam também na internet.
Tereza Cruvinel afirma em seu texto que uma democracia constrói sua agenda pelo conjunto de opiniões, informações e pelo conjunto da mídia pelos jornais, televisão, revistas e etc. Afirma ainda que no caso do Brasil há deformações. Ou seja, um grupo muito pequeno de empresas controla os maiores e mais poderosos veículos no país.
Cruvinel parece esquecer que vivemos num país capitalista onde quem consegue ser empresário utiliza-se da mão de obra (bem ou mal) remunerada para fazer multiplicar as suas posses. Neste mundo, banco engole banco, indústria engole indústria e assim por diante. Olha o Pão de Açúcar aí, acabou de engolir as Casas Bahia.
Mas voltando às mídias, já pensou se jornais, revistas e tv fossem iguais a botequins, onde em cada esquina se encontra um? Exceto em Brasília. Ainda assim, entre eles haveria de destacar alguns, quer seja pela qualidade ou pela promiscuidade.
Os poderosos veículos de comunicação que dominam a mídia, não nasceram grandes, cresceram e se firmaram ao longo do tempo. Antes deles tivemos a TV Tupi, Manchete, Revista O Cruzeiro e outros que sucumbiram na disputa pelo capital. Democraticamente, em nome do social, surgiram os sem terra, sem teto e penso que estão querendo criar também os sem mídia. Se criarem, me chamem que também tô nessa!
Há outra questão em que Tereza Cruvinel afirma: “O que melhorou muito com a internet nos últimos tempos é a oportunidade de reciprocidade, ou seja, da própria sociedade participar de alguma forma ou ter alguma possibilidade de interferência direta na gestão da mídia ou na expressão de suas opiniões”.
Ora, ora! Tenho que concordar que de fato a internete possibilitou ao internauta postar a sua opinião comentando determinada notícia ou informação. Mas é só isso. E diversas são as opiniões, umas a favor outras contra, contudo, nenhuma delas representa o pensamento da sociedade, mas o próprio.
“Temos um sistema que impõe temas e agendas para a sociedade que nem sempre são as que ela mesma deseja, necessita ou aspira. Então, por isso também que eu dei uma guinada profissional na minha vida que foi aceitar o desafio de construir o sistema público de comunicação”. Declara Cruvinel.
Concordo plenamente quanto à imposição do sistema. Quanto ao seu desafio profissional, auguro votos de pleno sucesso, mas me fica um fio de desconfiança, não na capacidade e integridade da presidenta, mas nos mandatários do poder público, no sentido de virem transformar esses canais de comunicação pública em cabides de empregos e/ou ferramentas eleitoreiras. Todo cuidado, ainda será pouco.
Contrário ao pensamento de Franklin Martins, Luiz Nassif afirma:
“Eu ainda acredito na imprensa como o quarto poder.” (Luiz Nassif)
E ensina:
“Quando se pensa nas democracias tradicionais, há os três poderes: o Legislativo, Executivo, Judiciário. E há também a imprensa de opinião. O que é imprensa de opinião? É aquela imprensa de influência crítica. Ela influencia políticas de governo, influencia o Judiciário, influencia o Legislativo. Essa imprensa de opinião é, por definição, sóbria; não pode ser leviana. Ela tem que aprofundar as suas matérias. Não é uma imprensa de larga circulação. Ela tem uma circulação razoável, mas a grande âncora dela é a credibilidade.”
Sou favorável ao pensamento do notável jornalista até o ponto em que afirma que a imprensa de opinião tem que aprofundar as suas matérias.
Contudo, quanto à mensuração da circulação versus credibilidade, sou da opinião de que a monta circulada, quer seja larga ou razoável, nem sempre determina o grau de credibilidade. Se assim fosse, o natural seria creditar maior credibilidade ao mais circulado - prova maior de aceitação pela sociedade receptora.
Portanto, penso que a Imprensa de Opinião, seja ela de larga, razoável, ou diminuta circulação, são todas passíveis de credibilidade. Melhor seria se elas mergulhassem profundamente em suas matérias em busca da “maior verdade”, já que a absoluta não existe. De outra maneira, a credibilidade ficará sempre com quem mantiver maior poder de persuasão; e, quase sempre, é a que tem maior circulação.
Num segundo momento, Luiz Nassif continua a sua explanação:
“Então entramos num segundo tempo do jogo, que é esse novo público que surgiu. Às vezes se está falando da opinião pública. O que é opinião pública? Opinião pública é aquele bicho que circulava em torno dos jornais, que tinha uma relação passiva com os jornais, que aceitava o que vinha escrito dos jornais.”
Como é interessante essa tal de Opinião Publica! Ainda hoje, são raras às vezes em que valem para alguma coisa. Em meu pensar, esses cantinhos, de internet, jornais e revistas, destinados aos receptores, soam como o refrão: “Me engana que eu gosto”.
Não se avexe, eu explico, aliás, eu já opinei sobre o assunto na análise do texto de Tereza Cruvinel. O fato de a internete possibilitar ao internauta comentar determinada notícia ou informação, não me faz crer que o veículo alterará o seu posicionamento editorial, mas abre caminho para conhecer as opiniões dos seus receptores. E é só isso, porque as diversidades de opiniões - contras e a favor - contudo, não representam o pensamento da sociedade, mas de cada internauta.
E Luiz Nassif continua:
“Esse público foi conduzido pela mídia, mas também a conduziu, nos anos 90. [...] Na Campanha do Impeachment e outros escândalos a opinião pública era facilmente manipulável. Era um público que se comportava como uma torcida organizada. Ela queria sangue e a imprensa fornecia sangue. [...] Mas há um outro ponto importante: nós temos um modelo institucional muito falho no Brasil. São raros os políticos, por exemplo, que agem dentro das regras. O mesmo vale até para os juízes.”
Finalmente um ponto comum entre a minha opinião e a do nobre escritor. Ainda assim, me atrevo a acrescentar outros manipuladores da opinião pública em relação aos atos escandalosos que se apresentam em nosso país.
Penso que todos já vimos e ouvimos a afirmação de que foi a Rede Globo quem elegeu e destituiu o ex-presidente Color de Melo. Até acredito que ela teve uma enorme participação, mas não foi só ela, as outras mídias também tiveram participações relevantes. Agora, o que pouca gente fala, ou publica, e que teve influência significativa, naquele e noutros episódios, foi a ação dos Diretórios Estudantis ligados à CUT e ao PT (oposição à época), os quais movimentaram os estudantes e toda a geração jovem para saírem em passeatas pelas ruas e praças de todo o Brasil.
Prova disso, tivemos recentemente no episódio da corrupção no governo distrital em Brasília (DF), onde os estudantes, novamente capitaneados pela CUT e PT voltaram para as ruas em busca da cassação do governador corrupto – Arruda (DEM) e todos os seus asseclas.
Aplaudi sentado, e só não aplaudi de pé, porque o mesmo não aconteceu por ocasião do mensalão que envolveu políticos de variados partidos e principalmente do PT. Olha aí, os interesses próprios.
Nassif exemplifica:
“[...] aquele escândalo do Roberto Jéferson, por exemplo, em cima de uma propina de apenas 3 mil reais. Eu escrevi um capítulo sobre essa história da Veja, sobre quem armou aquela cena, o episódio dos grampos nos Correios. O autor era um lobista que tinha sido afastado pelo esquema do Roberto Jéferson.”
Ora, ora, nobre Nassif, a mim não importa quem praticou, armou, ou se o valor da propina foi 3 mil ou 3 milhões, o que importa é que tanto um como outro é ilegal e imoral. Verdadeiro descalabro - vocábulo muito em voga na atualidade brasileira, em que todos deveriam ser legalmente punidos.
E Nassif finaliza:
“É por isso que eu sou muito otimista em relação às novas mídias. A grande vantagem é que não vai ter mais o grande pai branco para dominar. Seja governo, seja TV Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, seja revista Veja. Porque o jogo agora vai ser um jogo de conhecimento, um jogo em que as armas se igualam, para quem tiver mais informação, as melhores avaliações.”
Onde fica esse país senhor Luiz Nassif? Porque aqui no Brasil, meu caro, como diz Silvio Santos, EU SÓ ACREDITO VENDO!
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Sociedade de Massa X Segmentada
Jarbas Oliveira
Célebres pesquisadores (filósofos, psicólogos, sociólogos) do comportamento humano individual e em sociedade, de outrora e presentes, gastaram e gastam grande parte do tempo de suas vidas terrenas formatando teorias no sentido de elucidar os mistérios que envolvem o pensamento do homem, resultando preciosos legados.
Para responder as questões: Estamos na era da cibercultura. Como se comporta a sociedade neste mundo multimídia? Poderíamos dizer que mudamos de uma sociedade de massas para uma nova ordem de informação segmentada?
Analisar-se-á, primeiramente, os ensinamentos do francês Émile Durkheim, um dos precursores da sociologia moderna; filósofo formado (1879) em Paris, onde começou a interessar-se pelos estudos sociais; fundador da escola francesa de sociologia, (1887), têm entre suas principais obras: Da divisão social do trabalho (1893); Regras do método sociológico (1895); O suicídio (1897); As formas elementares de vida religiosa (1912). Fundou também a revista L’Année Sociologique, que afirmou a preeminência durkheimiana no mundo inteiro.
Para Durkheim o indivíduo é produto da sociedade. Como cita Aron, “[...] o indivíduo nasce da sociedade, e não a sociedade nasce do indivíduo” (2003, p. 464). Destarte, a sociedade precede sobre o indivíduo. E nessa linha de raciocínio, define fato social como:
“[...] todos os fenômenos que se dão no interior da sociedade, por menos que apresentem, com certa generalidade, algum interesse social” (DURKHEIM, 1999, p. 1). E ainda:
[...] toda maneira de fazer, fixado ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; [...] que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais. (DURKHEIM, 1999, p. 13). E sintetiza:
“[...] só há fato social quando existe uma organização definida” (DURKHEIM, 1999, p. 4), como regras jurídicas, dogmas religiosos, morais, etc.
Em resumo, a maneira como o homem atua é condicionada pela sociedade, assim, é a sociedade que explica o indivíduo.
A Sociedade de Massas teve sua origem no século XIX, mediante o desenvolvimento do processo industrial que especializou as tarefas para a produção em larga escala e por consequência surge a concentração de populações urbanas, o poder central de decisão, a evolução de um sistema de comunicação internacional e o crescimento dos movimentos políticos das massas.
Alan Swingewood em sua obra O Mito da Cultura de Massa (1977) ensina que a teoria aristocrática da sociedade de massas está ligada à crise moral causada pelo enfraquecimento dos centros tradicionais de autoridade, como a família e a religião.
O jornalista Ricardo Kotscho (quatro décadas dedicadas ao jornalismo) em uma entrevista coletiva respondeu à estudante de Jornalismo, Ana Paula Nogueira, a seguinte pergunta: “O mundo moderno é um mundo plural, a sociedade é segmentada. Como a comunicação dá conta de uma sociedade segmentada e com valores tão difíceis?”
Kotscho respondeu: “É muito fácil. A sociedade é segmentada, mas a comunicação também é cada vez mais. Você tem setor de comunicação de tudo quanto é tipo, ligado a organizações sociais, a igreja, a empresas, a tudo. Hoje se tem [...] uma diversificação muito grande, uma complexidade muito grande da sociedade, mas isso também ocorre no nosso meio.” E, conclui:
“É a mesma coisa quando falam do mercado de trabalho, dizendo que existem muitos jornalistas se formando, não sei quantos mil por ano, mas em compensação, têm muito mais empregos, muito mais áreas para se trabalhar.”
Ao analisar o crescimento do uso da mídia no Japão, Youichi Ito, concluiu também, que, com o surgimento das novas tecnologias de comunicação direcionadas a informação especializada e diversificada, que usa ideologias, valores, gostos e estilos de vida para tornar a audiência cada vez mais segmentada, oportunizaram-se também a transposição de uma sociedade de massa a uma “sociedade segmentada”.
Conclusão:
Vistos os notáveis ensinamentos pode-se concluir que mesmo na antiguidade já existia a denominada Sociedade de Massa que, na verdade, era a modernidade da época, e, ainda, já se mostrava também segmentada. O Coliseu recebia uma grande massa da população interessada nos combates entre gladiadores e nas execuções públicas, enquanto a massa seguidora de Cristo, (Sermão da Montanha) buscava a salvação. Depois surge o Teatro segmentando uma massa elitizada; Posteriormente Charles Chaplin mostra no cinema (nova mídia) os efeitos da revolução industrial e, misturam, numa mesma sala, elite e plebe que buscam entretenimento (seria em detrimento ao teatro?). Se verdadeiro, não atingiu os objetivos, pois o teatro continua em evidência.
Concluindo... Não é por causa da cibercultura que a Sociedade de Massa passa a ser Segmentada. Ela sempre se mostrou segmentada; os segmentos é que se multiplicaram. Como disse Lavoisier: “ Da natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”
“O antigo de hoje foi o moderno de ontem, o moderno de hoje será o antigo de amanhã e o planeta continua girando.” (Jarbas Oliveira)
domingo, 9 de agosto de 2009
Todo dia é dia do pai
Jarbas Oliveira
Sabe-se, segundo pesquisadores, que a instituição do “Dia dos Pais” teve a sua origem ha mais de quatro milênios, na antiga Babilônia, quando um jovem chamado Elmesu rendeu tributo ao seu pai, ofertando-lhe um cartão, moldado em argila, desejando-lhe saúde, sorte e longa vida.
A data comemorativa não é uniforme, nos Estados Unidos, por exemplo, apesar de ter sido instituída desde 1909, somente foi oficializada no ano de 1972, e é comemorada no mês de junho.
No Brasil, desde 14 de agosto do ano de 1953, comemoram-se o “Dia dos Pais” no segundo domingo de agosto - data atribuída ao publicitário Sylvio Bhering; e, é festejado no dia de São Joaquim, o patriarca da família - Pai de Maria, a Virgem Santa.
Feitas as curiosas observações, e sem levar em consideração a artimanha publicitária que transformou o nobre e louvável “Tributo aos Pais” numa jogada de “marketing” em que prevalece o comércio; passo, neste instante, a render o meu tributo aos pais e dentre eles o meu, que se na terra ainda estivesse, estaria próximo dos 99 anos.
Por experiência própria aprendi que pai não é apenas aquele que gera, mas, principalmente, aquele que cuida, zela e ensina, na maioria das vezes, com os próprios exemplos de vida e comportamento pautados nas virtudes da honra, do respeito e da honestidade; e mesmo ante as vicissitudes, ergue a cabeça e continua a luta.
Sabem me dizer o que um pai espera receber do seu filho? Um presente material, ou uma declaração de amor?
Nenhum de nós tem qualquer dúvida, o presente material também será bem-vindo, sobretudo quando conquistado pelo labor inconteste, mas um “Eu te amo meu pai!” ecoa em nossa mente, tem um sabor divino, que a gente degusta com emoção e guarda no coração.
Não importa se estamos pertos, distante e até mesmo no outro lado do mundo; se é dito ao pé do ouvido, via internet, no outro lado da linha, em sonho, por telepatia, ou oração, o que nos basta é saber que nossos filhos nos ama.
Portanto, não espere por um ano a chegada de mais um dia dos pais, faça todos os dias do ano ser “Dia dos Pais”. Fale de onde estiver, do jeito que quiser, mas fale: EU TE AMO PAPAI!
domingo, 26 de julho de 2009
Nova Esperança
Capítulo I
As nuvens espessas e o vento que soprava, agitadamente,
tornavam aquela tarde de sábado escura e fria.
Reluzentes e faiscantes relâmpagos prenunciavam fortes e
barulhentos trovões causando arrepios e temor à pequena
Madalena, que se encolhia no colo da mãe em busca de proteção.
Martha, uma jovem mulher, próxima dos vinte anos, loira,
cabelos compridos e anelados, rosto ligeiramente arredondado
mostrava os doces lábios volumosos e vermelhos adornando
seus lindos e brilhantes dentes; no queixo, uma suave
cova ressaltava, ainda mais, a sua beleza; a pele bronzeada e
as mãos delicadas pareciam desacostumadas ao trabalho.
Levantou-se da rústica cadeira de madeira e com os braços
ladeou a trêmula criança de apenas três anos, abraçou-a carinhosamente,
beijou-lhe a testa e sussurrou:
– Não tenha medo, Madalena, a mamãe está aqui
pertinho de você.
Cantarolou, passeando pela sala, até a criança dormir.
Entrou no pequeno e único quarto ali existente, acomodou a
criança no berço, ergueu-se e acendeu o pequeno candeeiro
que se encontrava sobre uma mesa num canto do quarto.
Começou a despir-se, levantou os braços em direção à parte
posterior do pescoço, desabotoou o colchete da blusa que
emoldurava o seu corpo, tirou-a por cima da cabeça, deixan8
do nus os ristes seios, desabotoou a saia na altura da cintura
e com as mãos desceu-a, juntamente com a calcinha, retirando-
as aos pés, deixou a calcinha sobre a cama e pendurou a
saia e a blusa num cabide fixado atrás da porta.
Encontrava-se, neste momento, liberta e inteiramente nua;
sob os reflexos da parca luz do candeeiro olhava a si mesma,
vislumbrando as linhas que davam forma ao seu esbelto e
torneado corpo, que nem mesmo o sol se dispôs a estragá-lo.
Colocou-se à frente do pequeno espelho pendurado num
prego fixado numa das paredes; fitou-o, esboçou um sensual
sorriso e deixou-se vaguear em devaneios, nas ondas ilusórias
dos seus pensamentos.
Viajou... flutuou... libertou-se, estava longe...; deslizava, suavemente,
as mãos sobre o próprio corpo, descendo-as à altura
das macias coxas e, se espelho falasse, certamente diria:
“Eis aqui uma soberba, formosa e exuberante beleza, digna
dos reflexos do mais imponente espelho, esta, sim, vale a pena
refletir”.
Martha encontrava-se dispersa, seu momentâneo mundo
estava totalmente colorido, uma pintura de fazer inveja aos
mais conceituados artistas; ermo total, Deus sabe onde.
Martha sonhava, não estava lá.
A “mãe natureza” incumbiu-se de despertá-la de mais um dos
seus lindos sonhos. Um intrometido trovão pareceu sacudir
o mundo; Madalena deu um grito de pavor, começou a chorar;
a mãe, também assustada, voltou-se ao encontro da filha;
ainda nua, deitou-se ao seu lado, acariciou-a, sussurrou novamente
ao seu ouvido, Madalena tornou a dormir.
De volta ao seu mundo, Martha ouvia, agora, o canto dos incansáveis
grilos noturnos, o tilintar da chuva batendo contra
o telhado, os coaxares, agonizantes, dos sapos “cururus” e o
pio, agourento, de uma coruja parda acomodada sobre o ga
lho de uma árvore próxima à janela do quarto.
Pensava na sua vida real, sabia onde estava, e perguntava a si
mesma: que tipo de vida eu posso oferecer à minha filha? Qual
será o seu, o meu, o nosso futuro? Adormeceu sem obter respostas.
Tributo ao Amigo Nelson Vilasboas

TRIBUTO AO AMIGO NELSON VILASBOAS
Escrito em 14/10/2007
O Meu amigo Elias Xavier – Nego Elias – é quem está rindo à toa, ou melhor, rindo para as paredes, se é que elas existem lá no Céu.
Tamanha alegria se deve à sua indicação para comandar a recepção do nosso amigo Nelson Vilasboas. Que honra hem, Nego Elias?
Se bem o conheço, já convocou o seu irmão – Edmur –, para ajudá-lo, posso até imaginar a sua agitação e os cuidados com os mínimos detalhes:
– Atenção, pessoal! Anjos trompetistas de um lado, flautistas de outro, harpas e clarins ao centro. Querubins! Ponham-se, lado a lado, ao longo do tapete, bem próximo à entrada e, no momento em que Nelson chegar, ergam as suas espadas e formem a abobada. Esta servirá de sinal, para que o coro faça a introdução musical com aquele som do filme “Contatos Imediatos 3º Grau". Ó! Quero sentir o piso tremer!
Vislumbro você, Nego Elias! Vestido um smoking branco, gravata borboleta vinho, calçado de um lustroso social preto, bem barbeado, bigode aparado e o sorriso largo mostrando os dentes. O nervosismo lhe é natural; esfrega as mãos, retira o lenço do bolso e enxuga as gotas de suor que teimam em lhe molhar a testa.
Contudo, ainda ouço você dizendo:
– Caprichem nesta apresentação! Por que, hoje, vamos recepcionar o meu grande amigo, Nelson Vilasboas e, tudo quanto fizermos por ele, ainda será pouco.
Você está coberto de razão, Nego Elias! Então, para que o leitor possa conhecer algo sobre a vida desse nosso amigo, vamos relatar um pouco das coisas que sabemos e que tivemos a honra de, às vezes, participar. Antes, porém, quero lhe contar que quando fomos nos despedir do amigo, eu e Ana Maria reencontramos com os nossos outros velhos amigos: Jair Ruas e Lourdinha, Ari e Dione, Juventino (Juju) Campos, João Marques e Estefânia, Fátima “de Josimar”, Leila de Tone de Zengla e, Hernani e Vera.
Lembra, Nego Elias! Foi você quem me apresentou ao Nelson. Ele, ainda solteiro, trabalhava na antiga Padaria Brasil da rua doutor Veloso; numa árdua tarefa que se iniciava diariamente às 5h da manhã. Ainda assim, não mediu esforços para prosseguir nos seus estudos e, para isso, diga-se de passagem, contou com a imprescindível e oportuna colaboração do irmão e amigo Hernani Vilasboas. A aprovação no vestibular de medicina foi uma festa.
Para aqueles que crêem que o dom da vida provém de Deus, podem acreditar, o Divino Mestre escolheu o servo, Nelson Vilasboas, para ajudá-lo. Bastou concluir o curso, para que milhares de crianças viessem chorar em suas mãos ao dar o primeiro suspiro. Foi assim, com o meu filho André Luiz (25 anos), foi assim, com o meu neto Samuel (três anos).
Isso, sem contar a Clínica, que ele criou, juntamente com outros colegas, com o objetivo de ofertar à população, consultas e exames médicos, a preços bem mais acessíveis. Portanto, Nego Elias! Não se pode discutir o respeito e o carinho que as centenas de clientes, colegas e assistentes e muitos outros amigos nutrem por ele.
O trabalho profissional, é verdade, o consumiu egoisticamente. Já não tinha mais tempo para nossas reuniões festivas. Ari, certa vez, me confidenciou que, em algumas das vezes em que foi à casa de Nelson, teve que encerrar a visita, ou acompanhá-lo até o hospital, onde fora atender a chamados urgentes. E, Nelson dizia: “São os ossos do oficio, meu caro Ari.”.
Esse afastamento ocorreu não só com ele, mas com todos nós. Vera de Hernani, bem disse: ”É...! A gente, agora, só se reúne quando um dos nossos está se despedindo”. Também, Nego Elias! A culpa é toda sua. Era você é quem coordenava essas reuniões, e, nos abandonou...!
Lembra desta foto, Nego Elias? Reveillon no AC - 78/79. Ela retrata a contagiante garra e alegria do nosso Amigo Nelson.
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Assim, restam-nos as lembranças dos nossos maviosos encontros e agitados reveillons. E de vocês, meus amigos! A nossa eterna saudade.
terça-feira, 14 de julho de 2009
A Sociedade da Interação
A Sociedade da Interação
Jarbas Oliveira
Olhando o dicionário vi que a palavra “interação” significa: Ação que se exerce mutuamente entre duas ou mais coisas, ou duas ou mais pessoas. Também, me vêm à lembrança, que há algum tempo atrás elaborei um trabalho acadêmico (síntese) sobre Cultura Popular Brasileira - “Os Sertões” de Euclides da Cunha e, para isso, fui buscar na obra: Imagens do Brasil – Franca, V.R. Veiga – os diferentes conceitos sobre o modo de ver e viver do sertanejo e, ainda, apresentar o nosso próprio conceito sobre o tema: qual seja:
“Viver em comunidade, compartilhar: espaço, representações, valores e práticas sociais, nos levam ao conceito de ‘pertença’ – ou seja, pertencemos à sociedade ou comunidade em que habitamos e, por isso, incorporamos os seus costumes, assim, qualquer comunidade ou sociedade pode ser conceituada como sertão”.
Caro leitor, a nossa exposição, retro, objetiva conceituar, genericamente, Sociedade e Interação, para daí discorrermos sobre o tema “Sociedade da Interação”, levando-se em conta o momento em que vivemos, onde a interação, a meus cálculos, ocupa mais de 60% do nosso tempo diário; haja vista, que interagimos até quando estamos dormindo, seja através de sonhos, pesadelos, ou mediante a transposição do espírito.
É isso mesmo! Transposição do espírito. Pois, segundo alguns amigos meus críveis no espiritismo, o nosso espírito, quando estamos dormindo, sai do nosso corpo – que eles (os meus amigos) denominam de “aparelho” –, a vaguear por ai, onde, só Deus sabe; e, quando acordamos o nosso “Bom dia” já é a primeira interação manifestada.
Daí para o nosso labor ou laser, ou sei lá o quê, seja ele qual for, nos interagimos a cada instante. E, como vivemos em sociedade, é possível, de forma sintética, afirmar: Ai está a “Sociedade da Interação”.
Contudo, caríssima leitora, nos reportamos, agora, ao conceito de pertença: “Pertencemos à sociedade ou comunidade em que habitamos e, incorporamos os seus costumes”, para nos dirigirmos ao mundo dos internautas, tanto pela via dos micro-computadores, quanto dos celulares, abarcado pelas novas mídias e tecnologias (para mim, evolução das velhas), que assanham o homo sapiens sapiens¹ do século XXI e, creio eu que dos próximos séculos também, pois não sabemos, nem imaginamos aonde isso vai parar.
O certo é, até então, que a comunicação digital, virtual, informatizada, internetizada, com fio, sem fio, virou uma parafernália sem controle e sem limites. Nela, com apenas alguns cliques do indicador no “mouse”, ou ação na tecla “enter”, encontramos, em fração de segundos, excelentes ou reles informações.
Interagimos na comunidade dos negócios: comprando, vendendo, ofertando, pesquisando;
Interagimos no esporte: assistindo, torcendo, perguntando, cantando, xingando, extravasando;
Interagimos na política: apoiando, votando, criticando, elogiando e principalmente se decepcionando diante de um cancro vivo chamado “Poder Governamental”, onde impera a corrupção, a mentira e as mazelas;
Interagimos nos CHATS, BLOGS, MSN, TWITTER, ORKUT e tantos outros, trocando idéias e informações, conhecendo pessoas, fazendo amizades e também relacionamentos que muitas das vezes se tornam íntimos;
Interagimos na educação buscando conhecimentos, formação intelectual, participando de fóruns onde pessoas, com o mesmo objetivo, levam e buscam experiências que formam mais do que informam.
Mas, não podemos nos esquecer, que esta mesma “Sociedade da Interação”, também está aberta a inserções medíocres, difamatórias, imorais, e nada aproveitáveis, indignas de serem citadas, mas que massificam e aguçam o intelecto e a curiosidade dos jovens e adolescentes, e de muitos adultos também. Estas inserções, a meu ver, constituem a maior preocupação que essa SOCIEDADE DA INTERAÇÃO precisa, urgentemente, se preparar para agir e interagir em defesa do nosso homo sapiens sapiens do futuro.
¹ Segundo a Enciclopédia Barsa, V. 7 pg.
domingo, 5 de julho de 2009
“Mangas Amargas”
Jarbas Oliveira.
Se um dia, eu resolvesse escrever uma pequena parte das histórias do meu irmão Jurandir, acabaria escrevendo um livro. Enquanto isso não acontece, atenho-me a escrever uma breve passagem que me vem à lembrança.
Jurandir, meu irmão mais velho, desde a sua infância em Taiobeiras, cidade desse rincão norte mineiro, sempre foi visto como um sujeito traquino, cheio de malandragem, a ponto de protagonizar as mais absurdas peripécias. Tão absurdas que ele mesmo é capaz de dizer: “Não está vendo que isso é mentira!” Esta história, porém, “falo de cadeira” porque também fiz parte dela, não como protagonista, mas como vítima.
Morávamos na rua Bocaiúva, bem próxima da Praça Coronel Ribeiro.Lá em casa, somos dez irmãos, oito naturais: duas mulheres e seis homens, uma escadinha, ou seja, um nem bem aprendia a andar e já nascia outro; e duas irmãs adotivas – Flora e Aninha. Flora chegou aos sete anos, pouco mais que Jurandir. Aninha chegou, com apenas um ano de idade, quando eu, o caçula, ainda arrastava pelo chão. O meu pai, então caminhoneiro, andava vagando pelas estradas da vida, em busca do pão de cada dia.
Certa feita, numa dessas viagens, a minha mãe, Dona Olívia, foi também. Flora, já com seus 17 anos, ficou tomando conta da casa. Coitados de nós!
Nós, os mais novos. É claro! Por quê? Porque, simplesmente, ficamos à mercê dos maldosos e inconseqüentes atos do “Jura – Juriti – Caolho” (apelidos que utilizávamos para vingar dele). Ufa! Me desabafei!
Era por volta das 9h de uma manhã de janeiro dos idos 1958, tempo de chuva, mas não chovia quando o garoto Dedé, próximos dos treze anos, irmão natural de Flora, chegou lá em casa, montado em uma garbosa bicicleta; eu e meu irmão Josimar, – com sete e oito anos, respectivamente, aos gritos, corremos, ao encontro dele: Dedé... Dedé..., dá uma volta de bicicleta com a gente!
– Não, agora não posso, eu estou indo ali buscar umas mangas, passei aqui só para pegar um saco de pano; cadê flora? Chama ela lá para mim.
Flora lhe arranjou dois sacos vazios e perguntou-lhe:
– Para onde você vai com esses sacos Dedé?
– Ah! Eu vou à chácara de João Botelho.
– E, onde fica isso?
– Fica perto do cemitério.
Interrompendo o diálogo, eu e Josimar gritamos, insistentemente: Dedé! Deixa a gente ir com você? Deixa Dedé! Deixa.
– Se Flora deixar, eu levo.
A pobre coitada, confiante no irmão, apenas perguntou:
– A que horas você volta?
– Ah! Eu volto logo, venho antes do almoço.
– Sendo assim, está bem. Podem ir, mas não demorem.
– Então vamos meninos! Mas vão ter que me obedecer.
Descalços, vestíamos apenas um calção curraleiro (criança não usava cueca) e uma camisa de tecido de algodão; Josimar montou na garupa e eu no cano do quadro da bicicleta. Lá fomos nós, deslumbrados e sorridentes, rumo à nossa primeira aventura longe de casa!
As ruas, ainda de terra, era uma lama só. Para subir a ladeira do Bom-Fim tivemos que descer da bicicleta, pois Dedé não agüentou subi-la pedalando.
Não dei cinco passos e escorreguei; caí de barriga no chão e sai deslizando ladeira abaixo; lambuzei-me todo de lama, mas não chorei. Dedé me levantou e pela mão puxou-me ladeira acima. Quando vencemos a danada, a lama, agarrada no solado dos nossos pés, parecia pesar uns dez quilos.
Montamos novamente e, não demorou muito, chegamos ao nosso destino: Uma chácara à beira da estrada – hoje, bairro João Botelho –, com dezenas de pés de mangas de várias qualidades; Dedé trepava nas mangueiras e derrubava as mangas, enquanto nós ficávamos embaixo, catando e recolhendo-as aos sacos, ao mesmo tempo em que saboreávamos outras. As mãos, pernas, rosto e a roupa era um “leguedê” só; lama e sumo de manga se misturavam dando maior sabor àquela aventura.
Três horas da tarde, o almoço já era..., e começa a chover; Dedé desce rapidamente do pé de manga, acomoda e amarra os dois sacos na garupa da bicicleta, já não há mais espaço para Josimar, o jeito foi partilharmos o pequeno espaço no cano da bicha, – como diz o ditado: “Para descer todo santo ajuda” – Dedé nem precisou pedalar, desceu ladeira abaixo e logo estávamos em casa, ensopados e enlameados.
Neste instante começou o nosso sacrilégio. Sabe quem nos aguardava, sentado no degrau, à porta de casa? Dou um doce para quem acertar!
Era ele mesmo. “Jura – Juriti – caolho” Ufa! Desabafei de novo! – minha irmã Nair, que é psicóloga, certamente diagnosticaria: “Trauma de Infância”.
Entramos correndo, mas não adiantou. Pelo menos um cascudo alcançou nossas cabeças. Jura era “expert” nesse assunto. Dedé descarregou, na sala de visita, um dos sacos de manga que nos pertencia e, não esperou o resultado, deu no pé.
Jurandir foi à nossa procura, mas já estávamos trancados no banheiro, onde Flora, caprichosamente, nos banhava, enquanto chorávamos copiosamente.
Quando saímos, o “sarcástico caolho” nos aguardava à porta. Flora interveio a nosso favor, mas não adiantou, a coitada levou logo um “chega-prá-lá”.
Eu e Josimar fomos arrastados pelas orelhas até a sala de visita, lá levamos outros safanões ao pé do ouvido que nos causou zumbidos e visões estrelares; os coques pareciam perfurar nossas cabeças e misturar os miolos. Cansado de nos bater, disse:
– Não se atrevam a se mexer daí!
Saiu, apressadamente, rumo à cozinha e, retornando, abaixou-se no centro da sala, fez quatro amontoados de sementes de milho, formando um quadrado, e nos obrigou a ajoelhar sobre os mesmos, com os braços abertos e um de frente para o outro.
Não bastou. Pegou o nosso saco de mangas, escolheu umas vinte melhores, colocou-as numa travessa e jogou as outras numa fossa que havia no fundo do quintal da casa; sentou-se em uma cadeira ao nosso lado, com travessa e faca na mão e, enquanto nos olhava e sorria com desdém, calmamente, descascava e chupava nossas doces “amargas” mangas. Só depois de devorá-las, uma a uma, livrou-nos do castigo.
Confesso que eu lhe desejei uma tremenda dor de barriga, mas não sei se o meu desejo se realizou. Quanto ao suposto diagnóstico, afirmo que não se trata de “Trauma de Infância”, mas de lembranças, ainda que amargas, inesquecíveis, que não deixaram qualquer resquício ou mágoa.
Jarbas Oliveira*
Contador, escritor e pós-graduando em Jornalismo Político.
Escrito em abril de 2008.
O leitor, com todo o direito, pode até pensar que o título é sensacionalista e apelativo. Eu afirmo que é apelativo, não no sentido pejorativo, mas de manifesto. Por isso, desde já, peço que me desculpem, mas, às vezes, torna-se necessário utilizarmos palavras agressivas, para que os comandantes possam despertar-se.
Ontem, à noite, na faculdade, o jornalista e colega, Luiz Ribeiro (Estado de Minas) entregou-me uma parte do seu jornal, Caderno Gerais, página 25, onde estava publicada uma matéria de sua autoria, em parceria com a jornalista Cristiana Andrade, e me pediu que lesse a reportagem “Alga Contamina o São Francisco”.
Li e reli, até pensei em não acreditar. Luiz! Achei a sua reportagem apavorante. Mas, para nossa desgraça, ela é real. É a mais pura verdade. O Velho Chico, da escritora Glória Mameluque e de todos nós, está envenenado. O nome científico do veneno (algas azuis) é “cianobactérias”. A origem: Fezes - metropolitanas belorizontinas e de outros 240 municípios situados na bacia mineira do Velho Chico.
É, Velho Chico, jogaram tantas fezes no seu afluente Rio das Velhas, que ele se tornou o seu maior poluidor.
Então é ele o culpado?
Não! Claro que não. O pobre coitado também é vítima, foi igualmente envenenado.
Lembra, Velho Chico, daqueles homens, sapecados pelo sol, que vivem canoando em suas águas, em busca dos já escassos surubis e dourados? Estão prestes a encerrar suas carreiras. Também, quem vai querer peixe contaminado?
E, tem mais, Velho Chico! Têm gentes que tomaram banho nas suas barrancas, beberam das suas águas e comeram dos seus pescados e agora estão com uma diarréia danada, vomitando, coçando e doente da cabeça. Pobres coitados, também! E nem têm como remediar.
É, Velho Chico, não faz dez dias, viajávamos com destino a Uberaba e ao atravessar a ponte sobre você, enchi os peitos e orgulhosamente gritei para o meu neto, Luca Cauet, de cinco anos: Olha lá, “chico lé!” – um dos apelidos carinhosos que eu avô costumo chamar os meus netos – Tá vendo esse rio bonitão? Ele se chama São Francisco, nasce no nosso estado - Minas Gerais e, é um dos maiores rio do nosso Brasil. Um dia, vou trazer você para passear nele, de vapor.
Fiz uma promessa ao meu neto, Velho Chico! Mas não sei se dou conta de cumpri-la, principalmente agora que fiquei sabendo que estás envenenado.
Mas, agüenta o tranco aí, Velho Chico. Existe, por ai, um tal de PAC Federal dizendo que vai investir bilhões e bilhões... em você. Querem até tirá-lo do seu leito maternal. A princípio sou contra, mas quem sabe, assim lhe sobra algum para fazer o seu tratamento.
Já, o Governo Estadual, Velho Chico, informou que a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil – CEDEC e outros órgãos estão de prontidão para o caso de ocorrências emergenciais que suas águas contaminadas possam causar.
Ai, eu pergunto, Velho Chico. Pergunto não! Interrogo, gritando em altos brados! O seu caso, o do Rio das Velhas, Verde Grande e de tantos outros rios, não é emergencial?
Não?
Acordem comandantes! Acordem! E salvem os nossos rios enquanto ainda é tempo.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Resenha: Os Dois Sertões
REFERÊNCIA:
Franca, V.R. Veiga (org)
Imagens do Brasil: Modos de ver, modos de conviver.
Belo Horizonte – Autêntica – 2002.
Resenha - Jarbas Oliveira
Trabalho acadêmico – Cultura Popular Brasileira, professora Monalisa Colares - relacionado às concepções sobre o sertão, com o objetivo de buscar na obra: Imagens do Brasil – Franca, V.R. Veiga – os diferentes conceitos sobre o modo de ver e viver do sertanejo e, ainda, apresentar o nosso próprio conceito sobre o tema.
Pesquisando no texto: Os dois sertões – fragmento da obra de Franca, p 116 a 121 – encontramos algumas das várias concepções de sertão, as quais, citamos a seguir:
- A discussão sobre a diferença entre os conceitos de sociedade e comunidade se estende ao conceito metafórico entre litoral/sertão (Nízia Trindade Lima – Um sertão chamado Brasil - 1999)1, enquanto o litoral (moderno) imita os europeus, o sertão (arcaico e atrasado) é o retrato da pobreza e da miséria.
- O litoral é a imitação grosseira da burguesia européia, enquanto o sertão é o Brasil pobre e analfabeto. E ainda: o sertão é lugar de barbárie e atraso cultural. 2
- O sertão transformou-se numa “patologia social” e a cura dos meios rurais passou a ser uma questão de ordem política e a doença, um empecilho à idéia de uma identidade nacional. 3
- O sertão era um local de violência e fanatismo religioso. 4
- O sertanejo não tem, por bem dizer, ainda, capacidade orgânica para se afeiçoar à situação mais alta. O círculo estreito da atividade remorou-lhe o aperfeiçoamento psíquico. (Euclides Cunha, 1955: 197). 5
Qual é a sua concepção de sertão?
“Viver em comunidade, compartilhar: espaço, representações, valores e práticas sociais, nos levam ao conceito de ‘pertença’ – ou seja, pertencemos à sociedade ou comunidade em que habitamos e, por isso, incorporamos os seus costumes, assim, qualquer comunidade ou sociedade pode ser conceituada como sertão”.
Tem uma música do sambista Jair Rodrigues6 que diz:
Deixe que digam
Que pensem
Que falem
Deixe isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem
Eu não estou fazendo nada
Você também.
Vamos ater às concepções extraídas do fragmento “Os dois sertões”; ao conceito de pertença; ao nosso conceito de sertão – texto acima grifado, e também aos signos que a letra da música do sambista Jair Rodrigues representa, para sintetizar a discussão sobre o que eles, e o que nós pensamos sobre o sertão e, assim, abalizar as nossas idéias a respeito do assunto. Vejamos:
Dizem os litorâneos, que o sertanejo é violento, pobre, analfabeto.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, Euclides da Cunha – Os sertões - já afirmava: “O sertanejo é antes de tudo um forte”.
Dizem os litorâneos que o sertanejo é pobre e atrasado.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, riqueza não é só matéria e, quanto ao atrasado, “O tempo é o senhor da história”.
Dizem os litorâneos que o sertanejo é doente e, um empecilho à identidade nacional.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, nós é que somos a verdadeira identidade desse país.
Dizem os litorâneos, que somos, organicamente, incapazes de nos afeiçoarmos à situação mais alta.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, alguém sabe conceituar “situação mais alta”? Alta em quê? Para quê? E por quê? (Ensinamentos filosóficos – professor João Olímpio). 7
Dizem os litorâneos, que o estreito círculo da atividade sertaneja, remora-nos – vocábulo não encontrado no “Aurélio” – arrisco dizer: dificulta, impede ou atrasa – o aperfeiçoamento psíquico.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, o que é ter aperfeiçoamento psíquico? Vale a pena? Para que serve? Tem coisas que nem Freud explica! Portanto...
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Deixe os litorâneos, comerem ovos de peixe e arrotar caviar.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é comer arroz com pequi e, no outro dia, ainda, arrotar.
Deixe os litorâneos, comerem os frutos do mar.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é comer os frutos que a terra nos dá.
Finalmente, deixem os litorâneos dançarem o forró da capital.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é dançar o forró “bate-coxa”, no terreiro, e fazer a poeira levantar.
Por isso:
Deixe que digam
Que pensem
Que falem
Deixe isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem
Eu não estou fazendo nada
Você também.
(Jair Rodrigues)
1 – Franca V.R. Veiga, pg 117 – 2002;
2 – Franca V.R. Veiga, pg 117/118 – 2002;
3 – Franca V.R. Veiga, pg 119 – 2002;
4 – Franca V.R. Veiga, pg 120 – 2002;
5 – Franca V.R. Veiga, pg 120 – 2002;
6 – Cantor e compositor – MPB – Música Popular Brasileira;
7– Ensinamentos dos Princípios Filosóficos – Professor João Olímpio.
Novas Mídias e Novas Tecnologias ou Velhas Mídias Evoluídas com Novas Tecnologias
OU
VELHAS MIDIAS EVOLUIDAS COM NOVAS TECNOLOGIAS
A comunicação me parece própria do ser vivo; há quem acredita ser dos sobrenaturais também. Mas, foi o homem (vivo) quem a evoluiu através da fala, dos sinais, dos mensageiros e até das aves domesticadas fazendo o papel de correios.
Não faz muito tempo, nos idos 31 de março de 1964, este vovô completava 13 anos; cursava a terceira série ginasial e ao mesmo tempo era diplomado no curso de datilografia. Isso mesmo, D A T I L O G R A F I A; hoje se aprende informática, que nada mais é do que uma datilografia mais evoluída. Naquele tempo, para obter o certificado de datilógrafo, era necessário utilizar os dez dedos das mãos e digitar, corretamente, 400 toques p/m, sem olhar para o teclado. Opção “sine qua non” para se conseguir emprego administrativo.
Dez anos mais tarde, esse vovô, já técnico em contabilidade estava sentado à frente de uma “Máquina de Mecanografia Hermes C3”. Era uma máquina eletro-mecânica, ou seja, uma máquina de datilografia acoplada a uma máquina calculadora. Não mais de três anos depois, esse mesmo vovô, agora chefe de contabilidade de uma empresa, recebeu do presidente desta, o desafio de implantar a contabilidade num “biroaux de serviço computadorizado” , onde um computador IBM/3 tomava conta de uma sala de mais ou menos 24 m²; o disco de memória do tamanho de um “notebook”. Lembram dos cartões de loterias? Então, o processo era o mesmo. Transferiam-se os dados para uma planilha, que era digitada em uma máquina perfuratriz, donde originavam os cartões perfurados, os quais, eram lidos e gravados no grande disco, pelo IBM/3. Daí para o computador no Celular foi apenas um pulo, ou quarenta e três anos. Por falar em celular me veio à lembrança aqueles telefones pretos, pesados, e cujos códigos de linha eram apenas de três números. Já naquele tempo era uma raridade, somente os mais abastados possuíam, e hoje só se encontra em museus. Se perguntássemos ao Gran Bell certamente nos diria que o Telefone é a evolução do Telégrafo; que o Telex era um telefone acoplado ao telégrafo, que daí evoluiu para o Fax, e deste, juntamente com o computador, para o E-mail, que se uniu à Net e surgiram as páginas. E! Agora me perdi. Já não conheço mais nada. Eu em relação às mídias sou do tempo do Rádio, Placas (Outdoor), Panfletos, Jornais, Tevê. Quanto às modernas, estou que nem o Zéca Pagodinho com o seu caviar: nunca vi, não comi, eu só ouço falar. Brincadeira... A verdade é que a minha profissão (contador) exige que tenhamos pelo menos um pouco de conhecimento com a informática, pois todo o nosso trabalho passa hoje por ela; quer seja utilizando programas de contabilidade, folha de pagamento e outros, quer seja prestando informações fiscais e sociais aos órgãos de governo; e tudo pela internet. Ainda não consegui fazer o meu blog e nem tenho paciência para brincar com Orkut, A5, entre outros. Mas já viajei pelo mundo afora utilizando os WWW. Afinal, as novas mídias são ou não evoluções das velhas?
Abraços a todos.
Jarbas Oliveira.
domingo, 21 de junho de 2009
Memórias de Uma Vida - Prefácio
PREFÁCIO
As palavras escritas possuem um poder especial: libertam, acalentam, invocam emoções , perpetuam vidas; mesmo quando se perde o autor, a mensagem sobrevive ao tempo acalentando séculos e gerações; marcam um momento que será eternamente revivido por todos aqueles que as lerem.
Ao ser convidada a prefaciar este precioso livro, senti-me duplamente lisongeada: prefaciar um livro de memórias é para mim muito gratificante, pois daqui a algum tempo, se continuar escrevendo, tornar-me-ei uma memorialista, pois é o estilo literário que mais me atrai; segundo por que, pela narrativa do autor, foi no lançamento de um dos meus livros que ele sentiu-se motivado a continuar o seu, há mais de quatro anos paralisado.
Este é um livro diferente: nota-se que as palavras escritas saem do coração do autor, que com tantos detalhes narra a "maravilhosa e tortuosa" vida dos seus pais, deixando para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos uma história que não pode perder-se no tempo como tantas outras.
Quando ele descreve o sítio Bom Retiro com sua "casa rústica de grandes cômodos", o quadro da "Mona Lisa" que disputa os olhares dos homens, as reuniões domingueiras, os almoços concorridos, as mesas onde se joga o "buraco" e o "boque", o curral, o pomar cheio de frutas, as plantações e os animais domésticos, o faz com tanta propriedade num linguajar simples e meticuloso, que temos a impressão de estarmos também lá e até sentimos o cheirinho do curral ou das frutas do pomar , e se aguçarmos o ouvido poderemos ouvir o co...co...ri..có do galo que se intitula dono do terreiro.
Começa a história a partir do bisavô e vai seguindo numa sequência lógica, ora narrando suas próprias impressões, ora relatando o que conseguiu captar através de gravações com os dois personagens centrais da história: seu pai, Pedro Paulo da Costa, irmão gêmeo de Paulo Pedro da Costa, ambos bonitos, pois que idênticos e Olívia Oliveira Costa, que quando se conheceram "era uma moça morena, muito bonita, cintura afinada, cabelos longos que escorriam até o ombro, lisos e negros".
E o autor continua sua narrativa, prendendo o leitor com suas nuanças bem descritas: o casamento dos dois, tumultuado e duradouro, o nascimento dos filhos, as mudanças de Taiobeiras para Montes Claros, a casa sempre cheia de gente, a ida para Coromandel após ter encerrado as atividades no comércio e o retorno para Montes Claros onde festejaram as Bodas de Ouro, cercados da família, dos parentes e uma legião de amigos.
"Memórias de uma vida" é um livro que não poderia deixar de ser escrito. É um tesouro para a posteridade da família e dos amigos. É um relicário precioso que precisa ser preservado. E nas suas entrelinhas podemos ler a união, o amor, o respeito e até mesmo a veneração dos filhos ao patriarca já falecido, continuado na mãe, que reúne os filhos ao seu redor, coisa tão incomun nos dias de hoje, onde a família vem sendo tão desvalorizada e vilipendiada em seus valores, o que se torna um exemplo digno de ser seguido.
De parabéns o autor, José Jarbas Oliveira Silva, que com ele lança-se como escritor e por certo deixará marcas muito profundas na história da família, tão bem contada por ele. A despeito do comentário de Marco Leandro, vejo que o Jarbas não é só um bom contador de números, mas também um ótimo contador de histórias.
É para mim uma honra poder prefaciar tão importante obra , e agradeço o autor a oportunidade de participar deste momento ímpar em sua vida e da sua família.
Montes Claros, 13 de dezembro de 2004.
Maria da Glória Caxito Mameluque
Membro da Academia Montesclarense de Letras e
da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco
e da Pastoral Familiar