PREFÁCIO
As palavras escritas possuem um poder especial: libertam, acalentam, invocam emoções , perpetuam vidas; mesmo quando se perde o autor, a mensagem sobrevive ao tempo acalentando séculos e gerações; marcam um momento que será eternamente revivido por todos aqueles que as lerem.
Ao ser convidada a prefaciar este precioso livro, senti-me duplamente lisongeada: prefaciar um livro de memórias é para mim muito gratificante, pois daqui a algum tempo, se continuar escrevendo, tornar-me-ei uma memorialista, pois é o estilo literário que mais me atrai; segundo por que, pela narrativa do autor, foi no lançamento de um dos meus livros que ele sentiu-se motivado a continuar o seu, há mais de quatro anos paralisado.
Este é um livro diferente: nota-se que as palavras escritas saem do coração do autor, que com tantos detalhes narra a "maravilhosa e tortuosa" vida dos seus pais, deixando para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos uma história que não pode perder-se no tempo como tantas outras.
Quando ele descreve o sítio Bom Retiro com sua "casa rústica de grandes cômodos", o quadro da "Mona Lisa" que disputa os olhares dos homens, as reuniões domingueiras, os almoços concorridos, as mesas onde se joga o "buraco" e o "boque", o curral, o pomar cheio de frutas, as plantações e os animais domésticos, o faz com tanta propriedade num linguajar simples e meticuloso, que temos a impressão de estarmos também lá e até sentimos o cheirinho do curral ou das frutas do pomar , e se aguçarmos o ouvido poderemos ouvir o co...co...ri..có do galo que se intitula dono do terreiro.
Começa a história a partir do bisavô e vai seguindo numa sequência lógica, ora narrando suas próprias impressões, ora relatando o que conseguiu captar através de gravações com os dois personagens centrais da história: seu pai, Pedro Paulo da Costa, irmão gêmeo de Paulo Pedro da Costa, ambos bonitos, pois que idênticos e Olívia Oliveira Costa, que quando se conheceram "era uma moça morena, muito bonita, cintura afinada, cabelos longos que escorriam até o ombro, lisos e negros".
E o autor continua sua narrativa, prendendo o leitor com suas nuanças bem descritas: o casamento dos dois, tumultuado e duradouro, o nascimento dos filhos, as mudanças de Taiobeiras para Montes Claros, a casa sempre cheia de gente, a ida para Coromandel após ter encerrado as atividades no comércio e o retorno para Montes Claros onde festejaram as Bodas de Ouro, cercados da família, dos parentes e uma legião de amigos.
"Memórias de uma vida" é um livro que não poderia deixar de ser escrito. É um tesouro para a posteridade da família e dos amigos. É um relicário precioso que precisa ser preservado. E nas suas entrelinhas podemos ler a união, o amor, o respeito e até mesmo a veneração dos filhos ao patriarca já falecido, continuado na mãe, que reúne os filhos ao seu redor, coisa tão incomun nos dias de hoje, onde a família vem sendo tão desvalorizada e vilipendiada em seus valores, o que se torna um exemplo digno de ser seguido.
De parabéns o autor, José Jarbas Oliveira Silva, que com ele lança-se como escritor e por certo deixará marcas muito profundas na história da família, tão bem contada por ele. A despeito do comentário de Marco Leandro, vejo que o Jarbas não é só um bom contador de números, mas também um ótimo contador de histórias.
É para mim uma honra poder prefaciar tão importante obra , e agradeço o autor a oportunidade de participar deste momento ímpar em sua vida e da sua família.
Montes Claros, 13 de dezembro de 2004.
Maria da Glória Caxito Mameluque
Membro da Academia Montesclarense de Letras e
da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco
e da Pastoral Familiar
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