segunda-feira, 1 de março de 2021
SENHOR! O MUNDO PAROU!
Jarbas Oliveira
Academia Montes-clarense de Letras
Cadeira nº 05
Patrono: Camilo Filinto Prates
Hoje, dia 10 do mês de abril do ano 2020, da era de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sexta-feira Santa, data em que nós Cristãos acostumamos a nos recolher e orar, em respeito ao Cordeiro de Deus imolado na cruz, para a salvação da humanidade.
Dois milênios já se passaram, duas décadas do terceiro também. Para os católicos é tempo do Tríduo Pascal, em que é possível obter a indulgência plena, se rezarmos piedosamente, após a Missa da Ceia do Senhor, o hino eucarístico “Tantum Ergo”, escrito por São Tomás de Aquino:
Tantum ergo Sacramentum Tão sublime Sacramento,
Veneremur cernui: Adoremos neste altar,
Et antiquum doc Pois o Antigo Testamento
Novo cedat ritui: Deu ao Novo seu lugar
Præstet fides supplementum Venha à fé por suplemento
Sensuum defectui. Os sentidos completar.
Genitori, Genitoque Ao eterno Pai cantemos
Laus et jubilatio, E a Jesus, o Salvador.
Salus, honor, virtus quoque Ao Espírito exaltemos,
Sit et benedictio: Na Trindade eterno amor.
Procedenti ab utroque Ao Deus uno e trino demos
Compar sit laudatio. A alegria do louvor.
Amen. Amém.
O mundo está contrito, Senhor! O mundo parou! Pena que o motivo é outro, Senhor! O Senhor, em seu calvário, clamou ao Pai: Pai perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem. Mas em verdade, Senhor, eu vos digo: nós não aprendemos, ou se aprendemos, fingimo-nos de moucos.
O poder, ganância, luxuria, ódio, desprezo, infâmia, mentira, corrupção e conluio tomaram conta dos cidadãos do planeta terra.
A disputa, Senhor, é pelo “poder”. Quem o tem é quem manda, obedece quem tem juízo. Será a escravidão moderna? Penso que não, sempre foi assim.
A ganância provoca o lucro fácil, não se mede esforços em busca da acumulação de riquezas, não importa a maneira, mesmo a obtida pelo trabalho explora as oportunas ocasiões para aplicar a usura sobre os necessitados. O TER sobrepõe o SER.
A luxuria decantada em Sodoma e Gomorra impregnou-se na mente humana, nas letras dos cânticos, nas vozes dos cantores, nas performances dos dançarinos, nas telas e apresentações expostas em museus, teatros, nas modernas mídias televisivas que penetram, sem pudor, em todos os cantos da terra, formatando a maldade na consciência humana.
O ódio está visível na face humana, voltou à era do “Dente por dente, olho por olho”, ninguém leva desaforo para casa, aliás, o desaforo está também dentro de casa, filhos aniquilando pais, coisa só imaginável nas sucessões de reinados. Hoje, se mata pelo dinheiro para o custeio de drogas. Mata-se por uma fortuna e mata-se por um mísero níquel.
O desprezo às coisas Divinas mostra-se implacável à vida humana. Semelhantes aniquilados pela fome, guerras, fuga em alto-mar e, pela recusa de refúgio e acolhimento em terras divisas.
A infâmia trás consequências desastrosas para quem a pratica. Entretanto, o mundo está recheado de infames. Muitos poderosos caíram e continuam caindo num lamaçal sem fundo. Numa fração relâmpago de tempo, as suas desastrosas “virtudes” transformam-se em desonra. Muitos estão condenados à infame e desastrosa prisão domiciliar. Tornaram-se ridículos objetos de facécias nas mídias sociais.
A Mentira quis tomar o lugar da verdade, quis não, quer. Mas, já dizia meu pai: a mentira tem pernas curtas. No Brasil, Senhor, onde é a minha atual morada, alguns infames poderosos quiseram imitar o lendário Robin Hood, disseram que acabaram com a pobreza do Brasil, e muitos acreditaram, mas como disse, a mentira tem pernas curtas, sabe o que fizeram Senhor? Mentiram! Roubaram os pobres e dividiram com os ricos, poderosos. Deram um prato de comida com uma mão e ceifaram a dignidade humana com a outra. Os impostos que eram para serem aplicados em saúde, trabalho, educação, estradas e moradias foram surrupiados. Uma vergonha!
A corrupção impera em todos os segmentos da sociedade, em todos os cantos do planeta, sem distinção de raça, cor, clero e cultura. Irmanados em conluio corrompem até a própria alma e a vende para o mau.
Chegamos até aqui, Senhor, para Lhe dizer que tal como no tempo de Moisés, uma praga se aplacou sobre a terra e está dizimando gente, principalmente, os mais idosos, considerados como fator de maior risco. Eu e minha esposa Ana Maria estamos nesse meio. Em nossa porta de entrada ela estendeu um pano branco e junto, um terço bento, tal como no Egito, quando marcaram as portas com o sangue de carneiro, conforme a determinação Divina.
Tudo começou no mês de dezembro de 2019, precisamente, na Província de Wuhan, na China/Ásia, país comunista de maior número populacional, aberto ao capitalismo ocidental para o aproveitamento da mão de obra barata, que a levou ao segundo patamar em potência econômica mundial, e a uma luta constante pelo pódio do poder contra os Estados Unidos da América.
Denominaram a praga virótica de Nova Covid19. Dizem ser originária do Morcego, e nessa Província costumam-se comer carne de morcego, cachorro, gato, etc., mas, há quem afirme que foi elaborado em laboratório chinês, com o objetivo de desestruturar economicamente o mundo. Se for, conseguiram. Certo é que um médico chinês alertou que esse vírus traria muitas mortes, mas foi preso e obrigado, pelo governo chinês, a desmentir tal alerta. O médico morreu infectado. A peste virótica se espalhou pelo mundo inteiro, pois é sabido que a China mantém contatos presenciais, comerciais e políticos com pessoas de todas as partes do planeta.
Milhões de pessoas já foram infectadas, e milhares chegaram a óbitos. A maioria dos países está procedendo ao recolhimento dos cidadãos, em casa, com os devidos cuidados higiênicos, como forma de evitar a aceleração da contaminação pelo vírus. A economia mundial parcialmente paralisada. No Brasil, se não bastasse a guerra virótica, a Mídia dominadora transformou a crise numa pandemia demoníaca, na tentativa de jogar a população contra o Presidente da Republica. Isso provocou, também, a guerra política entre o Governo Federal e alguns Governos Estaduais, aliados a parte dos membros do Congresso Nacional, com o apoio do Ministro da Saúde, os quais defendem o isolamento horizontal da população, bem como, a não prescrição do Hidróxido de Cloroquina para tratamento da virose, tão somente porque foi o presidente, Jair Bolsonaro, o primeiro a solicitar que o isolamento fosse vertical e a prescrição imediata da citada droga e, dessa forma, manter recolhidos somente os idosos de mais de sessenta anos e os portadores de moléstias que provocam baixa imunidade. Os demais deveriam voltar ao trabalho para manter a economia ativa e assim evitar o caos econômico, o que certamente provocará a fome, a violência e a balburdia em busca da sobrevivência. Somos os únicos no mundo com duas guerras a vencer: a do covid19 e a dos contrários ao Governo que está combatendo a corrupção instalada no Brasil.
Enquanto isso, ha mais de vinte e cinco dias, estamos aqui, privilegiadamente, em um apartamento bem instalado, eu, minha esposa, minha filha Roberta e a nossa diarista, Afonsa, que diariamente vem, com todo o zelo e cuidado, cuidar dos nossos afazeres domésticos. Aí, me vem à lembrança, daqueles que sequer tem um teto para se abrigar, ou, se tem, são precários e cheios de humanos, dividindo pequenos espaços. O governo está distribuindo renda para os mais necessitados, postergando impostos de pessoas físicas e jurídicas, concedendo empréstimos a empresários. Mas a pergunta que fica é: Serão suficientes, e até quando?
Finalizando, Senhor, quero confessar que não praticamos esse isolamento tal como determina a lei municipal. Recebemos em nosso lar os nossos filhos e netos que vieram nos visitar, matamos a saudade, sem beijos e afagos, com todos os cuidados necessários, não nos contaminamos, ainda.
Enquanto dou cabo deste escrito, lá fora, chove torrencialmente, banhando os quatro cantos dos nossos Montes Claros. Uma Divina chuva veio purificar telhados, ruas, avenidas, praças, parques, campos e pastagens, estradas e rodovias, mas, principalmente, a alma e o coração humano. Aleluia! Senhor!
Não viveremos sob o pânico da morte, se vier a acontecer, será como Deus quiser. Partiremos felizes. Não sabemos se a praga foi obra de Deus, ou da China, mas o mundo parou. O momento é de reflexão. Quando a tempestade passar virá a bonança. Quem viver verá! Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado.
Já vi tudo, ou quase tudo!
JÁ VI TUDO, OU QUASE TUDO!
Jarbas Oliveira
Cadeira nº 05
Academia Montes-clarense de Letras.
Desde meados de março deste ano de 2020, transportamos equipamentos e materiais para a instalação virtual de nosso escritório JC CONTABILIDADE E ASSOCIADOS LTDA., em nossa nova morada, um apartamento próximo ao Hospital Universitário, atendendo a uma exigência legal, imposta ao idoso considerado do grupo de risco de contágio com a maligna doença do novo milênio.
Digo nova morada porque, em 28 de dezembro do ano passado, mudamos de nossa casa, ao fundo do imóvel onde também funciona o nosso escritório. Se eu estivesse em casa, bastávamos abrir uma porta e já estaríamos em nossa sala de trabalho no escritório, e vice versa. Muitas foram às vezes em que meus netinhos, a mando da vovó Ana, adentraram a sala, em desabalada carreira e gritaria: “Vovô! Vovô! A Vovó está chamando! O almoço está pronto, vem, vem, vamos almoçar...”, e escoltavam-me até a mesa posta o almoço. Eu adorava essa correria, essa parceria, esse contato imediato de primeiro grau. Sangues do meu sangue!
Agora, três de maio de 2020, estamos aqui, confinados. Eles lá em suas casas. Nós cá. Dizem que é para o nosso bem. Sinceramente! Eu não penso assim. Não vivo o passado, nem o futuro. Vivo o presente. O passado já passou, o máximo que podemos fazer é escrevê-lo; o futuro, para quem acredita, pertence a Deus; Já o presente, penso eu, é para vivê-lo intensamente, com amor, paz e harmonia, mas sem medo.
Inúmeras são as explicações e recomendações para superarmos essa crise. Muitas favoráveis ao recolhimento humano, fechamento dos bens geradores da economia, outras tantas são controversas e creditam a superação da crise, com o isolamento parcial e plena movimentação de nossas atividades econômicas.
As Mídias televisivas espalham o ”pânico da morte” diuturnamente. As Mídias sociais são totalmente diversificadas. Nelas encontramos orações, textos reflexivos, poesias, músicas e textos literários, mas principalmente a guerra política “dos prós e dos contra” que publicam facécias, propostas, verdades e mentiras.
Já vi vídeo acenando à origem do mal em uma carta psicografada pelo famoso médio brasileiro Francisco Xavier, já falecido. Nunca se rezou ou orou tanto, ainda que missas e cultos estejam suspensos para plateias acima de trinta pessoas.
As informações e desinformações se misturam no computador, no celular, na televisão e principalmente na cabeça ou na mente de quem as recepcionam. A verdade é que não se conhece quem está com a verdade.
Médicos afirmam que tem remédios que matam o vírus; Infectologistas afirmam que ainda não há prova científica. O Infectologista chefe do combate ao vírus, em São Paulo, foi acometido pela doença. Tomou medicamentos e se recuperou. Questionado, “Ao Vivo”, em rede de televisão, sobre qual medicamento usou, se negou a revelá-lo. Serviu para ele, mas não serve para os demais infectados. Questionado novamente: “Você usou Cloroquina?”, calou-se no direito de não responder. O jornalista respondeu por ele: “usou... Usou... Ficou claro que usou”. A crise pandêmica é mundial, contudo, no Brasil, virou uma guerra medicinal e política, mas só no Brasil. Por quê? Por que só no Brasil? Porque o Presidente da Republica, em exercício, é contra o confinamento “horizontal”, que quer dizer: isolamento para todos, enquanto a “maior autoridade da nação” entende que o isolamento deveria ser “vertical”, ou seja, somente os maiores de 50 anos e os com baixo grau de imunidade deveriam ficar isolados. Em resumo: O Governo Federal não quer que a economia do país seja contaminada pela “pandemia virótica”, vez que, estatisticamente, os acometidos pela doença são em maioria, os idosos.
“Maior autoridade da nação”, entre aspas mesmo! Querem derrubá-lo do poder. Quem? Quem quer? O Sistema. O Sistema que quer a volta da corrupção, do toma lá dá cá. O Sistema que determina a soltura dos bandidos e corruptos, acostados no risco de virem a acometerem-se da doença virótica. O Sistema que determinou que a força policial prendesse e agredisse, fisicamente e moralmente, cidadãos comuns e inocentes, que não aceitaram ver tolhidas de suas liberdades e, exigiram, aos gritos, os seus “Direitos Constitucionais” de ir e de vir. Gritos no escuro! Gritos no deserto! Gritos silenciados, mas que a população tomou conhecimento e nada fez ou faz.
Estou cá, confinado que nem animal de engorda, pronto para ser abatido. Tal como aqueles que foram agredidos e presos. Também quero a minha liberdade de ir e de vir. Por isso saio para minhas caminhadas diárias, vou esticar as pernas, tomar um banho de sol - vitamina D, o santo remédio de Deus, ou para visitar aos meus. Se for para acesso à farmácia, supermercado e padaria, ou outro comércio qualquer, usamos a máscara em respeito aos demais usuários. Na rua, no carro, ou em casa de meus filhos, não usamos. Nem eles, nem nós. Até agora ninguém se infectou. Pode vir a infectar-se? Pode. Mas não podemos viver angustiado pelo medo de morrer. Morrer é a única certeza que temos na vida. Se for ateu, somos matéria, morreu acabou; Se for espírita, não há porque temer, pois acredita na reencarnação e, voltará novamente para continuar a lapidação do espírito; Se for cristão, crê na ressurreição, vida eterna ao lado da Santíssima Trindade, segundo o merecer, evidentemente.
Então estamos com medo de quê? Eu já vi de tudo, ou quase tudo. Desejo ver muito mais. Até a próxima reunião se ainda estivermos aqui, caros leitores, confreiras e confrades.
Câmara Renovada
Câmara renovada! Esperança de trabalho sério?
Jarbas Oliveira
Contador, Escritor membro das Academias Montes-clarense de Letras e Maçônica de Letras do Norte de Minas.
As urnas responderam aos anseios do povo montes-clarense. Quiçá do Brasil. Mudança! Mudança! Mudança! Mudança para melhor. Dos 23 vereadores eleitos somente nove já exerciam o cargo. Portanto, teremos uma Câmara Municipal renovada em mais de 60%. Sabem o que isso quer dizer? Quer dizer que o povo está de olho, não mais se deixa enganar, basta ver o numero de votos nulos e brancos, que juntos (77.441) ultrapassa o número de votos (76.595) recebidos pelo candidato a Prefeito colocado em primeiro lugar.
Quero dizer a esses nove vereadores reeleitos, os quais passaram por mais um crivo eleitoral, e receberam de os seus eleitores mais um voto de confiança, que devemos aplaudi-los e parabenizá-los, pois, certamente, fizeram-se dignos para merecer. Agregam-se aos nove, outros 14 neófitos eleitos, também merecedores de elogios e aplausos. Inexperientes, talvez. Todavia, capazes e comprometidos em dar o melhor de si para o bem de todos. Melhor a inexperiência política de que a experiência manipulada. Eles bem o sabem quão trabalhoso foi conquistar cada um dos seus eleitores. E, por isso, tornar-se-á necessário coloca-los sempre em mente, diante às suas decisões legislativas, lembrando-se que representam a vontade coletiva e não a individual.
Câmara Municipal não é “cabide de emprego”, Câmara Municipal não é centro de doações de bens materiais, Câmara Municipal não executa, não constrói escolas, nem hospitais, não asfalta ruas, não constrói praças, não gera emprego, não constrói pontes. Não é papel de a Câmara Municipal fazer nada disso. O papel do vereador é fiscalizar a origem e a aplicação dos recursos públicos; analisar, com zelo, atenção e cuidado, e votar os projetos do executivo, aprovando-os ou rejeitando-os, sem picuinhas, sem favorecimentos, mas com responsabilidade. Fiscalizar a origem e a aplicação dos recursos públicos abrange tanto a Prefeitura Municipal quanto a própria Câmara Municipal, cujos orçamentos alcançam cifras astronômicas. O momento do país requer equilíbrio nas contas públicas, o que quer dizer: gastar menos do que arrecada. Para isso, é necessário planejamento e austeridade nos gastos. Portanto, esqueçam os partidos, pensem no povo.
E por falar em austeridade nos gastos, a hora é propícia para falar em redução do número de vagas para vereadores e também em redução dos seus proventos. Por quê? Porque, salvo melhor juízo, eles se reunirão em meio expediente e apenas três vezes por semana; de mais a mais, fazendo uma breve leitura dos candidatos eleitos, percebemos que, em sua maioria, não depende da remuneração da Câmara, para a sua subsistência. Haja vista que alguns já são servidores públicos, outros aposentados, médicos, contadores, religiosos, etc. Afinal ninguém se candidatou pensando nos proventos, ou foi? Assim, sugiro especialmente aos vereadores reeleitos, e por isso mais experientes, que elaborem um projeto de lei propondo a redução das vagas e também dos proventos, justificando a necessidade de redução de gastos com os proventos dos vereadores, isso para valer já a partir de 01/01/2017. Se não fizerem isso, ainda este ano, que o faça na primeira reunião do ano vindouro. Os vereadores não poderão apresentar projetos para aumentar seus próprios proventos, mas para reduzir pode. Câmara renovada! Esperança de trabalho sério? Vamos acompanhar.
Tributo aos amigos que já se foram...
Um alô para Jair Ruas, João Marques e Tone de Zengla.
(*) Jarbas Oliveira
Alô, Jair Ruas de Lourdinha! Alô João Marques de Stefânia! Alô Tone de “Zengla” de Leila! Atenção leitores! “Zengla” não é a outra não, é o apelido; creio ser derivado do nome da mãe ou do pai. Não sei. Tá meio explicado, mas vamos ao assunto.
Como estão os meus amigos de longas datas? Estão enfrentando bem essa quarentena chinesa, que já virou sessentena ou até mais? Estão recolhidos, como determinam as cartilhas e os ditames legais? Conhecem a velha máxima: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”?
Então, meus amigos, tomem os cuidados necessários, vi no celular que estão prendendo e até agredindo pessoas, principalmente os velhos, que nem nós, que insistem no Direito Constitucional de ir e vir. Direito que nos parece não valer mais.
Eu estou aqui. Firme!
- Firme igual prego em angu! Diria o gaiato do Jair Ruas, seguido de sua estridente e afinada gargalhada.
Estamos Presos! Presos não. Presos sim, mas com liberdade transitória, sem “tornozeleira eletrônica”, como os corruptos, é verdade, mas com a coleira da família que mede os nossos passos. Podemos até dar uma escapulida, mas, para isso, precisamos nos disfarçar que nem os bandidos dos filmes “bang bang” de outrora, ou melhor, do nosso tempo. Lembram? Todos mascarados. Todavia, mascaravam com o próprio lenço, que portavam no pescoço, entretanto, hoje, as mascaras tem que ser especiais. E, ai de quem não usar. Feitas as considerações, vamos aos fatos que nos levaram a escrevê-los.
Não sei se já perceberam, mas penso que o lado de lá deve ser muito bom, melhor que o lado de cá, penso eu. Jair Ruas diria novamente: - “To fora! Lá vem você com suas filosofias baratas.”.
Mas é fato. Vou citar desorganizadamente alguns nomes e depois concluo: Elias Xavier, Hernane Vilas boas, Nelson Vilas boas, César Meira, Edmur Xavier, Renê Xavier, Juventino Campos, Ari de Campos, Bolivar Andrade, Maninho de seu Bebé, e recentemente Antonio Augusto. Destes, somente Bolivar Andrade e Maninho não eram amigos comuns a nós, mas meus. É claro que tem muitos outros, como: Zé de Arlete, Zé Ratinho, Ildeu Despachante, Tone Pidoca, esses, porém, eram amigos de “Pelada”, tanto na Lagoinha quanto no Batalhão. Todos eles já passaram para o lado de lá, e nenhum veio reclamar, ou nos dizer como é lá.
É como se dissessem: - “Sei lá!”.
Eu me preocupo com eles, por isso, sempre os coloco em minhas orações, seja em casa, na igreja, ou em qualquer lugar, e também na terra santa dos que já foram. Nesta, costumo me postar ao pé do Cruzeiro, colocando em meditação e contemplação os nossos convívios passados, revivendo no pensamento os comportamentos, as alegrias, as dificuldades e principalmente os exemplos legados de cada um deles.
Fico cá pensando... O que é que eles estão aprontando lá em cima?
Nós os conhecemos na vida terrena, sabemos bem como era o comportamento de cada um deles. Uns mais comedidos outros mais afoitos.
Elias, o mestre em organização, nada econômico; Hernane, o garboso garanhão, falante como um advogado; Nelson, cirurgicamente comedido nos atos e nas palavras; César, reservado como todo contador; Edmur, quase taciturno, moderado até no sorriso; Renê, um mestre conselheiro da arte filosófica; Juventino, moralista até nas afeições, semblante altivo, sorriso curto; Ari, o azar vira festa, tudo acaba em samba e alegria – levanta, sacode a poeira e dá volta por cima; Bolivar, a solução de todos os problemas - qual é mesmo o seu problema? Sempre na ponta da língua; Maninho, desde criança, o mais esperto, o garoto brincalhão; Antonio Augusto, conselheiro cativante, fala mansa, equilibrado, a empatia em pessoa. E os da “Pelada”? Zé de Arlete, o rei das artimanhas e das brincadeiras; Zé Ratinho, esse deve estar jogando pelada até agora; Ildeu Despachante, concentrado, mas retraído; finalmente Tone Pidoca, um grandalhão, forte e corredor.
Ressaltamos, ainda, que, todos eles, eram homens de boas índoles, reputações ilibadas e exemplares pais de família. Quanto a se bons ou maus esposos, é salutar que deixemos as ponderações aos próprios cônjuges.
É...! Meus amigos, Jair, João Marques e Tone de Zengla, ao que parece, daquela turma sobraram nós. Dos peladeiros ainda restam outros. Quer queira, quer não, o cerco está fechando, os janeiros passando, e não tem essa de que sou o mais novo que serei o último, não. O tempo de Deus é diferente do nosso. Então, meus amigos, vamos viver a vida tal como ela se nos apresenta. Enquanto não é chegada a hora, nada de viver em pânico, nada de temer a morte. Nossos amigos são pacientes, e nos aguardam do lado de lá. Mas, não agora, como no final do filme O Gladiador: “But not yet!”.
Paz e bem.
Da esquerda para a direita: Assentados: Antonio Augusto Mota, Nelson Vilasboas e o filho Heitor, Edmur Xavier, Sandoval Nobre, João Marques, Jarbas Oliveira, Antônio de Zengla, Elias Xavier, Dário, Juventino Campos; Agachados: Zito - cunhado de Nelson, Hernane Vilasboas, Jair Ruas e Ari de Campos.
(*) Escritor, membro das academias Montes-clarense de Letras, Maçônica de Letras do Norte de Minas, e do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. jarbasoliveira4@gmail.com
A LENDA DA MULHER DE SETE METROS
Jarbas Oliveira(*)
Esse caso agora, nada tem a ver com a ITASA, eu apenas trabalhava lá, ainda. Vocês já ouviram falar na lenda da mulher de sete metros? Pois é, houve um tempo, penso que por volta de 1978, em que surgiu a notícia de uma mulher, vistosa, vestida de branco, estatura muito alta aparecendo e assombrando as pessoas nas noites negras de Montes Claros, inclusive as que se encontravam dentro de os seus automóveis.
O assunto tomou forma tão alarmante que nos quatro cantos da cidade a conversa era uma só: A Mulher de sete metros. Naquele tempo os amantes de namoro no interior de veículos, estacionados em lugares ermos e escuros, pensavam duas vezes, antes de assumir a empreitada. Houve também quem afirmasse que até o ônibus, lotação da linha do bairro Morada do Parque, já havia passado por entre as pernas da “Mulher” vestida toda de branco.
De minha parte, porém, posso afirmar que certa vez fui à casa do casal Ari e Dione, residentes no Morada do Parque, meus compadres, por batizarem o meu filho Marco Leandro, para levá-los à nossa casa, a fim de jogarmos baralho, mais precisamente umas partidas de buraco. Quando encerramos a jogatina o relógio já marcava mais de duas da manhã; eu fui levá-los de volta ao bairro Morada do Parque. No caminho Dione colocou em pauta o assunto da Mulher de Sete Metros afirmando que a dita cuja estava apavorando os moradores e transeuntes daquela região. Ari desafiou: “Isso é mentira, Dione! Se for verdade, por que ela não aparece, aqui e agora, para nós passarmos no meizinho das pernas dela?”
Terminada a entrega a domicílio, retornei sozinho pela longa Avenida Mestra Fininha, nas proximidades do Parque Municipal. O veículo era um Ford Corcel, ouro, tipo pé-duro, ano 1976; abri os vidros para refrescar-me, e para relaxar eu estendi o braço direito no encosto da poltrona ao lado. Eis que, em determinado momento, alguma coisa roçou o meu braço, como se o alisasse. Arrepiei. Junto ao arrepio, me veio à mente a “Mulher de sete metros” ou coisa parecida; olhei no retrovisor e nada vi, pensei em girar a cabeça para conferir, mas faltou-me coragem. Mantive o braço estendido onde estava e minutos após, outro roçar, apertei o pé no acelerador, o roçar tornou-se mais frequente, reduzi a velocidade e o roçado também diminuiu, olhei novamente pelo retrovisor e nada, mas roçou de novo, aí eu fiquei encucado, porém não ousei olhar para traz e nem parar o carro para averiguar; gastei menos de dez minutos do Morada do Parque ao Funcionários, onde moro. Ao virar a última esquina, outra roçada, adentrei no vão da garagem, totalmente aberta, pois não havia portão, apenas um muro baixo separava o recuo da casa ao passeio.
Retirei, mansamente, o braço do encosto da poltrona, desliguei o carro, puxei o freio de mão, abri devagarzinho a porta do carro e ponderei, agora ou vai ou racha; virei rapidamente em busca da alma roçadora, pronto para dar-lhe umas boas bofetadas ou sair correndo, mas nada vi, senão uma trouxa de roupa que Ana Maria havia colocado no carro, para eu entregar na casa da lavadeira.
A trouxa de roupas, devidamente amarrada, colocada no assoalho do carro, atrás da poltrona ao lado da minha, não era grande, por isso, não podia ser vista pelo retrovisor. Resultado: o vento entrava pelas janelas do carro, soprava as sobras das amarras do lençol que, por sua vez, roçavam no meu braço. Final da estória. Entrei em casa, relatei o fato a Ana Maria que não somente riu e debochou da minha cara, mas disse-me também: “Bem feito! Bom para você aprender a não se esquecer dos meus pedidos.”
(*) Membro das Academias Maçônica de Letras do Norte de Minas – AMALEM - , Montes-Clarense de Letras, e do IHGMC – Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.
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