segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sociedade de Massa X Segmentada

Sociedade de Massa X Segmentada

Jarbas Oliveira

Célebres pesquisadores (filósofos, psicólogos, sociólogos) do comportamento humano individual e em sociedade, de outrora e presentes, gastaram e gastam grande parte do tempo de suas vidas terrenas formatando teorias no sentido de elucidar os mistérios que envolvem o pensamento do homem, resultando preciosos legados.
Para responder as questões: Estamos na era da cibercultura. Como se comporta a sociedade neste mundo multimídia? Poderíamos dizer que mudamos de uma sociedade de massas para uma nova ordem de informação segmentada?
Analisar-se-á, primeiramente, os ensinamentos do francês Émile Durkheim, um dos precursores da sociologia moderna; filósofo formado (1879) em Paris, onde começou a interessar-se pelos estudos sociais; fundador da escola francesa de sociologia, (1887), têm entre suas principais obras: Da divisão social do trabalho (1893); Regras do método sociológico (1895); O suicídio (1897); As formas elementares de vida religiosa (1912). Fundou também a revista L’Année Sociologique, que afirmou a preeminência durkheimiana no mundo inteiro.
Para Durkheim o indivíduo é produto da sociedade. Como cita Aron, “[...] o indivíduo nasce da sociedade, e não a sociedade nasce do indivíduo” (2003, p. 464). Destarte, a sociedade precede sobre o indivíduo. E nessa linha de raciocínio, define fato social como:
“[...] todos os fenômenos que se dão no interior da sociedade, por menos que apresentem, com certa generalidade, algum interesse social” (DURKHEIM, 1999, p. 1). E ainda:
[...] toda maneira de fazer, fixado ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; [...] que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais. (DURKHEIM, 1999, p. 13). E sintetiza:
“[...] só há fato social quando existe uma organização definida” (DURKHEIM, 1999, p. 4), como regras jurídicas, dogmas religiosos, morais, etc.
Em resumo, a maneira como o homem atua é condicionada pela sociedade, assim, é a sociedade que explica o indivíduo.
A Sociedade de Massas teve sua origem no século XIX, mediante o desenvolvimento do processo industrial que especializou as tarefas para a produção em larga escala e por consequência surge a concentração de populações urbanas, o poder central de decisão, a evolução de um sistema de comunicação internacional e o crescimento dos movimentos políticos das massas.
Alan Swingewood em sua obra O Mito da Cultura de Massa (1977) ensina que a teoria aristocrática da sociedade de massas está ligada à crise moral causada pelo enfraquecimento dos centros tradicionais de autoridade, como a família e a religião.
O jornalista Ricardo Kotscho (quatro décadas dedicadas ao jornalismo) em uma entrevista coletiva respondeu à estudante de Jornalismo, Ana Paula Nogueira, a seguinte pergunta: “O mundo moderno é um mundo plural, a sociedade é segmentada. Como a comunicação dá conta de uma sociedade segmentada e com valores tão difíceis?”
Kotscho respondeu: “É muito fácil. A sociedade é segmentada, mas a comunicação também é cada vez mais. Você tem setor de comunicação de tudo quanto é tipo, ligado a organizações sociais, a igreja, a empresas, a tudo. Hoje se tem [...] uma diversificação muito grande, uma complexidade muito grande da sociedade, mas isso também ocorre no nosso meio.” E, conclui:
“É a mesma coisa quando falam do mercado de trabalho, dizendo que existem muitos jornalistas se formando, não sei quantos mil por ano, mas em compensação, têm muito mais empregos, muito mais áreas para se trabalhar.”
Ao analisar o crescimento do uso da mídia no Japão, Youichi Ito, concluiu também, que, com o surgimento das novas tecnologias de comunicação direcionadas a informação especializada e diversificada, que usa ideologias, valores, gostos e estilos de vida para tornar a audiência cada vez mais segmentada, oportunizaram-se também a transposição de uma sociedade de massa a uma “sociedade segmentada”.

Conclusão:

Vistos os notáveis ensinamentos pode-se concluir que mesmo na antiguidade já existia a denominada Sociedade de Massa que, na verdade, era a modernidade da época, e, ainda, já se mostrava também segmentada. O Coliseu recebia uma grande massa da população interessada nos combates entre gladiadores e nas execuções públicas, enquanto a massa seguidora de Cristo, (Sermão da Montanha) buscava a salvação. Depois surge o Teatro segmentando uma massa elitizada; Posteriormente Charles Chaplin mostra no cinema (nova mídia) os efeitos da revolução industrial e, misturam, numa mesma sala, elite e plebe que buscam entretenimento (seria em detrimento ao teatro?). Se verdadeiro, não atingiu os objetivos, pois o teatro continua em evidência.

Concluindo... Não é por causa da cibercultura que a Sociedade de Massa passa a ser Segmentada. Ela sempre se mostrou segmentada; os segmentos é que se multiplicaram. Como disse Lavoisier: “ Da natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

“O antigo de hoje foi o moderno de ontem, o moderno de hoje será o antigo de amanhã e o planeta continua girando.” (Jarbas Oliveira)