terça-feira, 23 de junho de 2009

Resenha: Os Dois Sertões

OS DOIS SERTÕES

REFERÊNCIA:
Franca, V.R. Veiga (org)
Imagens do Brasil: Modos de ver, modos de conviver.
Belo Horizonte – Autêntica – 2002.

Resenha - Jarbas Oliveira


Trabalho acadêmico – Cultura Popular Brasileira, professora Monalisa Colares - relacionado às concepções sobre o sertão, com o objetivo de buscar na obra: Imagens do Brasil – Franca, V.R. Veiga – os diferentes conceitos sobre o modo de ver e viver do sertanejo e, ainda, apresentar o nosso próprio conceito sobre o tema.

Pesquisando no texto: Os dois sertões – fragmento da obra de Franca, p 116 a 121 – encontramos algumas das várias concepções de sertão, as quais, citamos a seguir:

- A discussão sobre a diferença entre os conceitos de sociedade e comunidade se estende ao conceito metafórico entre litoral/sertão (Nízia Trindade Lima – Um sertão chamado Brasil - 1999)1, enquanto o litoral (moderno) imita os europeus, o sertão (arcaico e atrasado) é o retrato da pobreza e da miséria.

- O litoral é a imitação grosseira da burguesia européia, enquanto o sertão é o Brasil pobre e analfabeto. E ainda: o sertão é lugar de barbárie e atraso cultural. 2

- O sertão transformou-se numa “patologia social” e a cura dos meios rurais passou a ser uma questão de ordem política e a doença, um empecilho à idéia de uma identidade nacional. 3

- O sertão era um local de violência e fanatismo religioso. 4

- O sertanejo não tem, por bem dizer, ainda, capacidade orgânica para se afeiçoar à situação mais alta. O círculo estreito da atividade remorou-lhe o aperfeiçoamento psíquico. (Euclides Cunha, 1955: 197). 5

Qual é a sua concepção de sertão?


“Viver em comunidade, compartilhar: espaço, representações, valores e práticas sociais, nos levam ao conceito de ‘pertença’ – ou seja, pertencemos à sociedade ou comunidade em que habitamos e, por isso, incorporamos os seus costumes, assim, qualquer comunidade ou sociedade pode ser conceituada como sertão”.


Tem uma música do sambista Jair Rodrigues6 que diz:

Deixe que digam
Que pensem
Que falem
Deixe isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem
Eu não estou fazendo nada
Você também.


Vamos ater às concepções extraídas do fragmento “Os dois sertões”; ao conceito de pertença; ao nosso conceito de sertão – texto acima grifado, e também aos signos que a letra da música do sambista Jair Rodrigues representa, para sintetizar a discussão sobre o que eles, e o que nós pensamos sobre o sertão e, assim, abalizar as nossas idéias a respeito do assunto. Vejamos:

Dizem os litorâneos, que o sertanejo é violento, pobre, analfabeto.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, Euclides da Cunha – Os sertões - já afirmava: “O sertanejo é antes de tudo um forte”.
Dizem os litorâneos que o sertanejo é pobre e atrasado.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, riqueza não é só matéria e, quanto ao atrasado, “O tempo é o senhor da história”.
Dizem os litorâneos que o sertanejo é doente e, um empecilho à identidade nacional.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, nós é que somos a verdadeira identidade desse país.
Dizem os litorâneos, que somos, organicamente, incapazes de nos afeiçoarmos à situação mais alta.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, alguém sabe conceituar “situação mais alta”? Alta em quê? Para quê? E por quê? (Ensinamentos filosóficos – professor João Olímpio). 7
Dizem os litorâneos, que o estreito círculo da atividade sertaneja, remora-nos – vocábulo não encontrado no “Aurélio” – arrisco dizer: dificulta, impede ou atrasa – o aperfeiçoamento psíquico.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, o que é ter aperfeiçoamento psíquico? Vale a pena? Para que serve? Tem coisas que nem Freud explica! Portanto...
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Deixe os litorâneos, comerem ovos de peixe e arrotar caviar.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é comer arroz com pequi e, no outro dia, ainda, arrotar.
Deixe os litorâneos, comerem os frutos do mar.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é comer os frutos que a terra nos dá.
Finalmente, deixem os litorâneos dançarem o forró da capital.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é dançar o forró “bate-coxa”, no terreiro, e fazer a poeira levantar.
Por isso:
Deixe que digam
Que pensem
Que falem
Deixe isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem
Eu não estou fazendo nada
Você também.
(Jair Rodrigues)


1 – Franca V.R. Veiga, pg 117 – 2002;
2 – Franca V.R. Veiga, pg 117/118 – 2002;
3 – Franca V.R. Veiga, pg 119 – 2002;
4 – Franca V.R. Veiga, pg 120 – 2002;
5 – Franca V.R. Veiga, pg 120 – 2002;
6 – Cantor e compositor – MPB – Música Popular Brasileira;
7– Ensinamentos dos Princípios Filosóficos – Professor João Olímpio.

Novas Mídias e Novas Tecnologias ou Velhas Mídias Evoluídas com Novas Tecnologias

NOVAS MIDIAS E NOVAS TECNOLOGIAS
OU
VELHAS MIDIAS EVOLUIDAS COM NOVAS TECNOLOGIAS


A comunicação me parece própria do ser vivo; há quem acredita ser dos sobrenaturais também. Mas, foi o homem (vivo) quem a evoluiu através da fala, dos sinais, dos mensageiros e até das aves domesticadas fazendo o papel de correios.
Não faz muito tempo, nos idos 31 de março de 1964, este vovô completava 13 anos; cursava a terceira série ginasial e ao mesmo tempo era diplomado no curso de datilografia. Isso mesmo, D A T I L O G R A F I A; hoje se aprende informática, que nada mais é do que uma datilografia mais evoluída. Naquele tempo, para obter o certificado de datilógrafo, era necessário utilizar os dez dedos das mãos e digitar, corretamente, 400 toques p/m, sem olhar para o teclado. Opção “sine qua non” para se conseguir emprego administrativo.
Dez anos mais tarde, esse vovô, já técnico em contabilidade estava sentado à frente de uma “Máquina de Mecanografia Hermes C3”. Era uma máquina eletro-mecânica, ou seja, uma máquina de datilografia acoplada a uma máquina calculadora. Não mais de três anos depois, esse mesmo vovô, agora chefe de contabilidade de uma empresa, recebeu do presidente desta, o desafio de implantar a contabilidade num “biroaux de serviço computadorizado” , onde um computador IBM/3 tomava conta de uma sala de mais ou menos 24 m²; o disco de memória do tamanho de um “notebook”. Lembram dos cartões de loterias? Então, o processo era o mesmo. Transferiam-se os dados para uma planilha, que era digitada em uma máquina perfuratriz, donde originavam os cartões perfurados, os quais, eram lidos e gravados no grande disco, pelo IBM/3. Daí para o computador no Celular foi apenas um pulo, ou quarenta e três anos. Por falar em celular me veio à lembrança aqueles telefones pretos, pesados, e cujos códigos de linha eram apenas de três números. Já naquele tempo era uma raridade, somente os mais abastados possuíam, e hoje só se encontra em museus. Se perguntássemos ao Gran Bell certamente nos diria que o Telefone é a evolução do Telégrafo; que o Telex era um telefone acoplado ao telégrafo, que daí evoluiu para o Fax, e deste, juntamente com o computador, para o E-mail, que se uniu à Net e surgiram as páginas. E! Agora me perdi. Já não conheço mais nada. Eu em relação às mídias sou do tempo do Rádio, Placas (Outdoor), Panfletos, Jornais, Tevê. Quanto às modernas, estou que nem o Zéca Pagodinho com o seu caviar: nunca vi, não comi, eu só ouço falar. Brincadeira... A verdade é que a minha profissão (contador) exige que tenhamos pelo menos um pouco de conhecimento com a informática, pois todo o nosso trabalho passa hoje por ela; quer seja utilizando programas de contabilidade, folha de pagamento e outros, quer seja prestando informações fiscais e sociais aos órgãos de governo; e tudo pela internet. Ainda não consegui fazer o meu blog e nem tenho paciência para brincar com Orkut, A5, entre outros. Mas já viajei pelo mundo afora utilizando os WWW. Afinal, as novas mídias são ou não evoluções das velhas?

Abraços a todos.

Jarbas Oliveira.

domingo, 21 de junho de 2009

Memórias de Uma Vida - Prefácio


PREFÁCIO

As palavras escritas possuem um poder especial: libertam, acalentam, invocam emoções , perpetuam vidas; mesmo quando se perde o autor, a mensagem sobrevive ao tempo acalentando séculos e gerações; marcam um momento que será eternamente revivido por todos aqueles que as lerem.

Ao ser convidada a prefaciar este precioso livro, senti-me duplamente lisongeada: prefaciar um livro de memórias é para mim muito gratificante, pois daqui a algum tempo, se continuar escrevendo, tornar-me-ei uma memorialista, pois é o estilo literário que mais me atrai; segundo por que, pela narrativa do autor, foi no lançamento de um dos meus livros que ele sentiu-se motivado a continuar o seu, há mais de quatro anos paralisado.

Este é um livro diferente: nota-se que as palavras escritas saem do coração do autor, que com tantos detalhes narra a "maravilhosa e tortuosa" vida dos seus pais, deixando para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos uma história que não pode perder-se no tempo como tantas outras.

Quando ele descreve o sítio Bom Retiro com sua "casa rústica de grandes cômodos", o quadro da "Mona Lisa" que disputa os olhares dos homens, as reuniões domingueiras, os almoços concorridos, as mesas onde se joga o "buraco" e o "boque", o curral, o pomar cheio de frutas, as plantações e os animais domésticos, o faz com tanta propriedade num linguajar simples e meticuloso, que temos a impressão de estarmos também lá e até sentimos o cheirinho do curral ou das frutas do pomar , e se aguçarmos o ouvido poderemos ouvir o co...co...ri..có do galo que se intitula dono do terreiro.

Começa a história a partir do bisavô e vai seguindo numa sequência lógica, ora narrando suas próprias impressões, ora relatando o que conseguiu captar através de gravações com os dois personagens centrais da história: seu pai, Pedro Paulo da Costa, irmão gêmeo de Paulo Pedro da Costa, ambos bonitos, pois que idênticos e Olívia Oliveira Costa, que quando se conheceram "era uma moça morena, muito bonita, cintura afinada, cabelos longos que escorriam até o ombro, lisos e negros".

E o autor continua sua narrativa, prendendo o leitor com suas nuanças bem descritas: o casamento dos dois, tumultuado e duradouro, o nascimento dos filhos, as mudanças de Taiobeiras para Montes Claros, a casa sempre cheia de gente, a ida para Coromandel após ter encerrado as atividades no comércio e o retorno para Montes Claros onde festejaram as Bodas de Ouro, cercados da família, dos parentes e uma legião de amigos.

"Memórias de uma vida" é um livro que não poderia deixar de ser escrito. É um tesouro para a posteridade da família e dos amigos. É um relicário precioso que precisa ser preservado. E nas suas entrelinhas podemos ler a união, o amor, o respeito e até mesmo a veneração dos filhos ao patriarca já falecido, continuado na mãe, que reúne os filhos ao seu redor, coisa tão incomun nos dias de hoje, onde a família vem sendo tão desvalorizada e vilipendiada em seus valores, o que se torna um exemplo digno de ser seguido.

De parabéns o autor, José Jarbas Oliveira Silva, que com ele lança-se como escritor e por certo deixará marcas muito profundas na história da família, tão bem contada por ele. A despeito do comentário de Marco Leandro, vejo que o Jarbas não é só um bom contador de números, mas também um ótimo contador de histórias.

É para mim uma honra poder prefaciar tão importante obra , e agradeço o autor a oportunidade de participar deste momento ímpar em sua vida e da sua família.

Montes Claros, 13 de dezembro de 2004.

Maria da Glória Caxito Mameluque

Membro da Academia Montesclarense de Letras e

da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco

e da Pastoral Familiar