REFERÊNCIA:
Franca, V.R. Veiga (org)
Imagens do Brasil: Modos de ver, modos de conviver.
Belo Horizonte – Autêntica – 2002.
Resenha - Jarbas Oliveira
Trabalho acadêmico – Cultura Popular Brasileira, professora Monalisa Colares - relacionado às concepções sobre o sertão, com o objetivo de buscar na obra: Imagens do Brasil – Franca, V.R. Veiga – os diferentes conceitos sobre o modo de ver e viver do sertanejo e, ainda, apresentar o nosso próprio conceito sobre o tema.
Pesquisando no texto: Os dois sertões – fragmento da obra de Franca, p 116 a 121 – encontramos algumas das várias concepções de sertão, as quais, citamos a seguir:
- A discussão sobre a diferença entre os conceitos de sociedade e comunidade se estende ao conceito metafórico entre litoral/sertão (Nízia Trindade Lima – Um sertão chamado Brasil - 1999)1, enquanto o litoral (moderno) imita os europeus, o sertão (arcaico e atrasado) é o retrato da pobreza e da miséria.
- O litoral é a imitação grosseira da burguesia européia, enquanto o sertão é o Brasil pobre e analfabeto. E ainda: o sertão é lugar de barbárie e atraso cultural. 2
- O sertão transformou-se numa “patologia social” e a cura dos meios rurais passou a ser uma questão de ordem política e a doença, um empecilho à idéia de uma identidade nacional. 3
- O sertão era um local de violência e fanatismo religioso. 4
- O sertanejo não tem, por bem dizer, ainda, capacidade orgânica para se afeiçoar à situação mais alta. O círculo estreito da atividade remorou-lhe o aperfeiçoamento psíquico. (Euclides Cunha, 1955: 197). 5
Qual é a sua concepção de sertão?
“Viver em comunidade, compartilhar: espaço, representações, valores e práticas sociais, nos levam ao conceito de ‘pertença’ – ou seja, pertencemos à sociedade ou comunidade em que habitamos e, por isso, incorporamos os seus costumes, assim, qualquer comunidade ou sociedade pode ser conceituada como sertão”.
Tem uma música do sambista Jair Rodrigues6 que diz:
Deixe que digam
Que pensem
Que falem
Deixe isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem
Eu não estou fazendo nada
Você também.
Vamos ater às concepções extraídas do fragmento “Os dois sertões”; ao conceito de pertença; ao nosso conceito de sertão – texto acima grifado, e também aos signos que a letra da música do sambista Jair Rodrigues representa, para sintetizar a discussão sobre o que eles, e o que nós pensamos sobre o sertão e, assim, abalizar as nossas idéias a respeito do assunto. Vejamos:
Dizem os litorâneos, que o sertanejo é violento, pobre, analfabeto.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, Euclides da Cunha – Os sertões - já afirmava: “O sertanejo é antes de tudo um forte”.
Dizem os litorâneos que o sertanejo é pobre e atrasado.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, riqueza não é só matéria e, quanto ao atrasado, “O tempo é o senhor da história”.
Dizem os litorâneos que o sertanejo é doente e, um empecilho à identidade nacional.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, nós é que somos a verdadeira identidade desse país.
Dizem os litorâneos, que somos, organicamente, incapazes de nos afeiçoarmos à situação mais alta.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, alguém sabe conceituar “situação mais alta”? Alta em quê? Para quê? E por quê? (Ensinamentos filosóficos – professor João Olímpio). 7
Dizem os litorâneos, que o estreito círculo da atividade sertaneja, remora-nos – vocábulo não encontrado no “Aurélio” – arrisco dizer: dificulta, impede ou atrasa – o aperfeiçoamento psíquico.
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Na verdade, o que é ter aperfeiçoamento psíquico? Vale a pena? Para que serve? Tem coisas que nem Freud explica! Portanto...
Deixe que digam, que pensem e que falem.
Deixe os litorâneos, comerem ovos de peixe e arrotar caviar.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é comer arroz com pequi e, no outro dia, ainda, arrotar.
Deixe os litorâneos, comerem os frutos do mar.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é comer os frutos que a terra nos dá.
Finalmente, deixem os litorâneos dançarem o forró da capital.
Enquanto pra nós “Ser tão bom” é dançar o forró “bate-coxa”, no terreiro, e fazer a poeira levantar.
Por isso:
Deixe que digam
Que pensem
Que falem
Deixe isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem
Eu não estou fazendo nada
Você também.
(Jair Rodrigues)
1 – Franca V.R. Veiga, pg 117 – 2002;
2 – Franca V.R. Veiga, pg 117/118 – 2002;
3 – Franca V.R. Veiga, pg 119 – 2002;
4 – Franca V.R. Veiga, pg 120 – 2002;
5 – Franca V.R. Veiga, pg 120 – 2002;
6 – Cantor e compositor – MPB – Música Popular Brasileira;
7– Ensinamentos dos Princípios Filosóficos – Professor João Olímpio.
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