quarta-feira, 5 de março de 2014
TEM CARNAVAL NO MORADA DO PARQUE
TEM CARNAVAL NO MORADA DO PARQUE
Jarbas Oliveira
Era segunda-feira de carnaval, e já anoitecia. Ana Maria e Eu, absortos, assistíamos televisão, ela, no quarto, entretida com novelas; eu, na sala, assistia filmes. Levantando o tom da voz, para que eu pudesse escutar, Ana disse: – Bem, muda o canal aí, o jornal local vai informar sobre o carnaval na região. Contemplativo, nas tramas do filme, me fiz de surdo. Não adiantou, minutos depois, ela veio até a sala e completou: Tem carnaval no Morada do Parque! Vamos? Sou daqueles que cultiva um bom relacionamento, e para fazer a felicidade da minha amada, sou pau para toda a obra. Vamos, vou só acabar de ver este filme, e já vou me arrumar.
Eram nove da noite quando saímos. O bairro Morada do Parque não é distante do nosso – “Funcionários”; gastamos menos de dez minutos. Chegamos como quem não quer nada, meio acabrunhado, só na observação. Lembrei-me do professor André Dias, ele nos ensinou a observar “jornalisticamente” uma aglomeração, um recinto, e fazer o diário de bordo. O local tem nome sugestivo - Praça da Amizade, e ficou dividido entre palco, espaço para folia, tendas com mesas e cadeiras e, nos passeios ao redor: barraquinhas com bebidas e guloseimas. No palco uma senhora distribuía prêmios a algumas crianças pela participação nas atividades vespertinas – soube depois, que para a satisfação da criançada, o evento começara na hora sexta.
Paramos próximos às tendas, busquei com os olhos uma mesa para nos acomodarmos, nenhuma vaga, mas vi meu amigo e colega contador e diácono, Pedro da Projacon acompanhado de sua esposa e outras pessoas; aproximamos-nos deles; Pedro estava fantasiado de atleticano, mas nos recebeu com a alegria que lhe é peculiar. Enquanto nos cumprimentávamos, Andressa, sobrinha de Ana Maria, com suas filhas gêmeas se juntaram a nós, tornando o ambiente familiar. Dali, passamos ao passeio mais próximo, onde Vanessa e o namorado Vitor – Vanessa é sobrinha de Andressa - se encontravam acomodados nos baldrames que contornam os jardins.
Carnaval sem cerveja não dá pé, fui à barraquinha mais próxima, perguntei o preço da cerveja, e o atendente que estava cabisbaixo, fazendo um troco, levantou a cabeça e disse três reais; era o Osmar - pai do bailarino Igor Xavier -, já nos conhecíamos, cumprimentamo-nos, pedi duas latinhas e voltei.
Não distante dali, o meu amigo, jornalista e músico Hilton Nunes conversava com outros dois senhores, me aproximei deles e recebi o caloroso abraço do Hilton, descobri entre os demais, o meu colega de Tiro de Guerra – Ano 1970 – Sula Fernandes. Hilton nos disse que ele e alguns colegas, todos do bairro, seriam os animadores do grito carnavalesco, tudo ao som do violão e percussão, e completou: vai ser difícil “prá cacete”, eu lhe respondi: Essa você tira de letra!
Retornei para onde estava a minha amada, não sem antes abraçar o casal amigo e estimado – Geraldo Caninha e Amália Queiróz que deparei no caminho. Eu e Amália fomos os números um e dois, respectivamente, no quadro de funcionários da ITASA/NESTLÊ. O tempo não nos separou! Sempre que nos encontramos é só alegria!
Ali, naquela “agitação”, encontramos ainda o casal Storino e Elvira, companheiros da Pastoral Familiar Arquidiocesana, o casal Carlão e Beth com seu famoso espaguete, por sinal, uma delícia, viu dona Beth!, Rodrigo Paulino e sua família – filho do meu amigo de infância, Álvaro Paulino-, Daniel Barral, com sua esposa e filhos – amigos do meu filho André Luiz.
Os tambores rufaram, Hilton dedilhou, ansiosamente, as cordas do violão e soltou a voz: Tanrã, tanrã, tanrâ, tã, tã, tã, tã, tã tã tã! Se você fosse sincera, ôôô Aurora! Veja só que bom que era, ôôô Aurora...! O espaço dos foliões foi logo ocupado, gente de todos os sexos e idades, Eu e Ana Maria, já de cerveja em punho, ficamos ali pela beirada, arriscando alguns balanços, e a cada música uma lembrança. Lembrança dos carnavais de outrora, lembrança do nosso início de namoro, numa tarde carnavalesca no Automóvel Clube de Montes Claros – 1967, plena luz do dia. Ela com treze anos, eu perguntei: Você não vai namorar não? Se achar um que me serve, eu namoro. Eu sirvo? Pensou rapidamente: É..., serve. Um serve tão vergonhoso que estou servindo até hoje, graças a Deus!
Hilton Nunes emendou um: Quanto riso, ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão, Alecrim está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão! {...} Foi no carnaval que passou..., eu sou aquele Pierrô que te abraçou e te beijou meu amor, {...} vou beijar-te agora, não me leves a mal, tudo é carnaval. Outrora, nesse momento, eu não me furtava em furtar-lhe um delicioso beijo, contudo, ali, na rua, quando não lhe beijei, ela me olhou com desdém e disse: agora você tem vergonha, não é? Neste instante em que escrevo, arrependo-me de não lha ter beijado. A idade, às vezes, nos põe acabrunhado. Ao cabo de muitas marchinhas de carnaval, Hilton soltou novamente o seu tarantantã, anunciando o intervalo.
Foi nesse intervalo que experimentamos o espaguete da dona Beth, e dessa feita conseguimos uma mesa e cadeiras para nos acomodarmos. Hilton ao meu convite nos prestigiou com a sua presença, e enquanto tomávamos uma cerveja, íamos confabulando sobre o carnaval do Morada do Parque. Josecé - músico e compositor montesclarense - passava próximo, e se viu chamado por Hilton, convidando-o a nos fazer companhia. Perguntei a eles quem era o coordenador do evento, Hilton disse que Josecé é o presidente da Associação do Bairro Morada do Sol, este, porém, disse que a associação do bairro apoia, mas a coordenação do evento tem à frente a sua esposa Heleonora, e mais, que o evento já se realiza há três anos, sem que houvesse qualquer incidente, começa às 18h e encerra às 24h, contando inclusive com o total apoio dos moradores adjacentes.
De resto, caro leitor, querida leitora, vale dizer que saímos de casa sem muita esperança no carnaval de Montes Claros, mas a surpresa foi agradabilíssima, pois o carnaval do MORADA DO PARQUE, não é simplesmente um carnaval, mas o carnaval! Carnaval de amigos para amigos, e não é por acaso que ele acontece na Praça da Amizade. PARBÉNS, MORADORES DO MORADA DO PARQUE, QUEM SABE FAZ AO VIVO E À CORES, NÃO ESPERA ACONTECER!
segunda-feira, 3 de março de 2014
Discurso do Lançamento do Livro "Memórias de uma Vida" em Taguatinga/DF
Amigos e Amigas, boa noite!
“Se é possível sonhar é possível tornar o sonho em realidade”.
Com esta frase de “Walt Disney” quero dizer a vocês, que nesta noite, dou prosseguimento a esta nova caminhada e aqueles que bem me conhecem, sabem mensurar o tamanho da minha teimosia.
Certa vez, o literato Mario Quintana, assim expressou:
“Existem duas espécies de livros: Uns que os leitores esgotam e outros que esgotam os leitores”. Espero que “Memórias de Uma Vida” seja incluído na primeira categoria.
Um outro autor não menos famoso, contudo, ao aconselhar a um pretendente à profissão de escritor, não hesitou: “Você saberia viver sem escrever”?
Diante de mais um paradigma semelhante à celebre frase: “Ser ou não ser, eis a questão”. Pude então plagiar: - Escrever ou não escrever, eis a questão. Optei-me por escrever; enveredei-me pelo caminho literário e, tamanha foi a minha satisfação em descobrir-me vivo em minhas próprias palavras que já escrevi o segundo e o terceiro trabalho. Se vou editá-los..., ainda não sei.
Em minha opinião editar um livro é mais difícil que escrevê-lo. Só para se ter uma idéia, o livro “Fernão Capelo Gaivota”, campeão de vendas dos anos 70, ficou engavetado por um editor durante mais de 10 anos. Mas não quero e nem devo preocupar-me com isso.
Minhas amigas, meus amigos; Penso que a gratidão é um gesto que aproxima as pessoas, assim, em nome da família: Jarbas e Ana Maria, agradeço com grande estima e carinho o reconhecimento sincero dos amigos que tornaram possível a editoração de “Memórias de Uma Vida”; são eles: a minha prima Lia, o meu tio Neivo, meu cunhado Filogônio, meus irmãos Jurandir e Jaime e o meu primo Joãozinho; eles compreenderam a minha expectativa, a minha ansiedade e se envolveram de uma maneira muito especial.
Confesso: se não fosse a tolerância e a colaboração dessas pessoas, esse magno momento, não estaria acontecendo. Portanto, do fundo do meu coração, transmito a todos vocês o nosso sincero agradecimento.
Caríssimo primo João, desde aquele dia, quando sentados ao redor de uma mesa na casa da prima e cunhada Zirinha, em que revelei estar escrevendo um livro contando a história da nossa família, você manifestou um entusiasmo contagiante, dizendo que faria o lançamento do livro aqui em Taguatinga; aquela sua decisão que hoje se concretiza, caro Joãozinho, foi a maior prova de credibilidade e reconhecimento ao nosso trabalho. Deus haverá de recompensá-lo por tamanha demonstração de confiança e carinho.
A este primeiro trabalho, “Memórias de Uma Vida” carinhosamente, denominei “Minifúndio Literário” ou, pequena obra; lembro, contudo, que o sentido denotativo da palavra minifúndio, quer dizer: pequena extensão de terra, o que não significa que a terra seja improdutiva; também assim, imagino o livro “Memórias de Uma Vida”; uma pequena obra, mas que para mim, em que pese não aspirar dela sucesso algum, muito significa.
O meu desejo, caros amigos, foi tão somente, registrar a história de uma família, igual a tantas outras famílias brasileiras mas, que sem dúvidas, é para nós que dela fazemos parte, a valorosa marca da nossa honrosa origem.
Escrever Memórias de Uma Vida foi como entrar numa máquina do tempo, retroceder o calendário, girar a manivela dos devaneios e, navegar..., ou melhor, vaguear..., de volta para o passado; utilizei o mais rápido e eficaz meio de transporte já inventado. “O Pensamento”, esse maravilhoso dom que Deus nos deu. Vaguei..., fui a Cana Brava, Caldeirão, Comercinho de Bruno, passei também em Araçuaí, Medina, Taiobeiras, Vaguei, ainda, por Montes Claros Antiga, Coromandel, Uberlândia e tantos outros lugares.
Eu vi meus trisavôs: Theodoro e Antonia Maria; Eu vi meus bisavôs: Candido e Maria Lopes, Joaquim e Conceição; vi os negros escravos nas senzalas; vi também Vô Manoel e Vó Carmelina, Vô Gabiroba e Vó Maria Rita; Vi Madrinha Dejanira e o Senhor Gulino; iiiihhh...! é tanta gente que não dá para ficar citando nomes. Ah! Mas esta, não posso deixar de lhes dizer; vi minha mãe D. Olívia – ainda moça, namoradeira que só ela.
Mas, nada disso seria possível, se Deus não concedesse aos meus pais, Pedro Paulo e Olívia, uma vida longa e suas invejáveis memórias, pois, os principais fatos e detalhes que narrei neste livro foram contados por eles.
Amigas e amigos, espero que leiam “Memórias de Uma Vida” e possam desfrutar e sentir o mesmo prazer que eu tive ao escrevê-lo.
Ao encerrar, não posso furtar-me de agradecer, também de uma maneira especial à minha amiga Kelly Silva que, ao que me parece, não se esgotou por ler, reler e revisar, várias vezes, esse nosso Minifúndio Literário, tornando-o, por isso, mais digno de ser lido. Também à Acadêmica Maria da Glória Caxito Mameluque, pelas incentivadoras palavras ressaltadas no prefácio, as quais, enriqueceram, consideravelmente, o nosso “Memórias de Uma Vida”.
Agradeço, finalmente, também de uma maneira muito especial e carinhosa, a todos vocês que se dispuseram a lisonjear-me e com as suas presenças deram todo brilhantismo a esta solenidade.
Muitíssimo Obrigado.
Jarbas Oliveira
10/02/2006
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