Opinião.
Mídia, Sociedade e Poder.
Jarbas Oliveira
Pediram-me para opinar sobre “Mídia, Sociedade e Poder”. Passei algumas horas, desta semana, pensando no assunto, até havia comentado os discursos de Franklin Martins, Tereza Cruvinel e Luiz Nassif. Mas, uma coisa é analisar e criticar as opiniões dos outros, outra é mostrar a nossa. É aquela história: Numa você é o estilingue, noutra, você é a vidraça.
Faltou-me inspiração; enrolei o tempo, e neste domingo (20), para arejar a cabeça, fui a um haras restaurante almoçar com minha esposa, filhos e netos. Retornamos por volta das 14h; eu disse a ela: vou tirar uma soneca e depois sentar ao computador e escrever um pouco. Ela perguntou: escrever o quê? Uma atividade da pós - respondi. Então – ela disse -, vou até a casa de a minha irmã, para combinar as festividades do natal.
Acordei com o ranger do controle remoto; era ela, deitada ao meu lado, trocando de canais na TV; olhei para o relógio da cabeceira e já se passaram 2h.
Penso que sonhei com isso, pois bastou vê-la com o controle às mãos e me veio um estalo. É isto aí! - pensei novamente -. Lá está a mídia; aqui a sociedade e no controle remoto a ferramenta que nos dá o poder de assistir ou não assistir o programa que se nos apresenta.
Perguntei-a: o que você está vendo? Nada! E já passei todos os canais – respondeu e continuou: os filmes estão pela metade e, quase todos, contêm violência; é uma matança sem fim; não gosto de ver filmes violentos, e, pior ainda, já começados; esporte: também não gosto, canais de notícias eu até gosto, mas as notícias de hoje são as mesmas anunciadas ontem. E finalizou: como hoje não passa novela, vou assistir a um programa de auditório, até chegar o momento de irmos para a missa. Esta eu tenho certeza que é igualzinha às outras, mas me enche o coração.
Falou e disse Dona Ana Maria!
Fiquei novamente a pensar: de que adianta ter o poder do controle remoto nas mãos se não podemos escolher o conteúdo do programa e a hora que o queremos ver.
Lembrei-me, então, do DVD, e até de perguntá-la, se não queria ir a uma locadora buscar algo que lhe interessasse, mas não ousei contrariar a mim mesmo. Por quê? Porque pagamos, mensalmente, uma assinatura de “TV fechada”, que nos oferece mais de setenta canais – nacional e internacional -, com variados programas, e, se nenhum deles nos chama a atenção é porque, ou são todos ruins, ou nós é que estamos cansados desta mesmice de ficar alienado à frente do aparelho.
Pensei, ainda, pedi-la para desligar a televisão, e irmos fazer alguma visita, mas logo desisti, não sou muito de visita; ademais era capaz de ao chegarmos à casa de alguém, que, também, estivesse assistindo TV. De mais a mais, eu precisava terminar essa atividade.
Portanto, vou concluir opinando:
Se, tecnologicamente, for possível, melhor será que as mídias ofereçam ao telespectador, o poder para escolher o programa e o momento de iniciá-lo; ou seja, gerar transmissões simultâneas, mas também personalizadas.
Se assim fosse, a minha esposa poderia assistir ao filme, à novela, ou programa que quisesse, na hora que desejasse.
Já pensou?! A gente chega, mas o jogo já começou; aí, a gente aciona um botão no controle remoto e o jogo retorna ao seu início. A transmissão, como já disse, seria simultânea para uns e personalizadas para outros. Isto sim, é plural e democrático.
O chato disso, porém, é que no caso do futebol, na casa ou apartamento ao lado, o vizinho pode já estar comemorando o gol. Aí, minha amiga, meu amigo, será como se estivéssemos assistindo a um filme e, ao nosso redor, um gaiato contando as próximas cenas. Ainda, assim, é melhor do que não poder escolher, porque, no gaiato, a gente pode dar um jeito.
Quanto ao Poder Governamental, sou de opinião de que não deveria intrometer a não ser em casos de real insurreição à segurança do país.
No mais, penso ser o bastante a criação de organismos de controle do conteúdo colocado às vistas e audições públicas, pois, caso exista, não parece, haja vista as aberrações nos palavreados e nas imagens sem qualquer pudor e em horários expostos a crianças e adolescentes.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo! Repletos de Paz e muita sabedoria.
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