Análise de Textos
Mídia e Poder
Antes de comentarmos os textos de Franklin Martins, Tereza Cruvinel e Luiz Nassif - SEMINÁRIO V: MÍDIA E PODER - A CONSTRUÇÃO DA VONTADE COLETIVA - teceremos um paralelo, em busca de pontos comuns, entre essas estrelas do jornalismo, se, por ventura, existente entre eles. Para isso vejamos seus micros currículos:
Franklin Martins - Trabalhou no jornal Hora do Povo, repórter do “Indicador Rural”, O Globo, Jornal do Brasil, SBT, Estado de São Paulo. Foi correspondente do Jornal do Brasil em Londres. No Jornal O Globo foi repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília. Escreveu nas revistas República e Época. Também foi comentarista político da TV Globo, da Globonews, CBN. e da Rádio Bandeirantes. É autor do livro Jornalismo político (Contexto, 2005). Atualmente é Ministro da Secretaria da Comunicação Social.
Tereza Cruvinel - É jornalista, formada pela Universidade de Brasília (UnB), e mestre em Comunicação Social, com orientação para Mídia e Política, pela mesma Universidade. Trabalhou na TV Brasília, no Jornal de Brasília, no Correio Braziliensem, no Jornal do Brasil e O Globo. Atualmente é Diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), gestora da TV Brasil.
Luís Nassif é jornalista, cronista e músico. Foi colunista e membro do conselho editorial
da Folha de S. Paulo. É membro do Conselho do Instituto de Estudos Avançados da USP e do Conselho de Economia da FIESP. Autor do livro de crônicas Menino de São Benedito (SENAC, 2001), de O Jornalismo dos anos 90 (Ed. Futura, 2003), Os cabeça-de-planilha (Ediouro, 2007). Atualmente é Diretor-presidente da “Agência Dinheiro Vivo”.
Nota-se que além da profissão, os três jornalistas passaram pelos quadros laborais de grandes meios de comunicação existentes no país, os quais, certamente, contribuíram para avolumar suas bagagens profissionais - conhecimento, experiência, aprendizado e evolução profissional -, a ponto de capacitá-los para exercerem, hoje, cargos executivos de alto-escalão. Evidentemente nada disso seria possível se não houvesse a inteligência, o profissionalismo, objetivo, ambição e, principalmente, o instinto de liderança a eles peculiar. Ninguém é Ministro de Estado ou Presidente de empresa, por acaso. Ou é?
Quis fazer esse comentário sobre os três jornalistas para, agora, poder acordar ou discordar do conteúdo dos textos por eles escritos a respeito do tema - A Mídia e o Poder, conforme segue:
Inicio os meus comentários a partir do texto de Franklin Martins, opinando sobre a frase:
“Não é o governo que cria a mídia. Quem cria a mídia é a sociedade” (Franklin Martins).
E, para variar, vou concordar em parte com o nobre jornalista e ministro, considerando que, em que pese alguns meios de comunicação (TV e Rádio) depender de concessões do governo, não é o governo quem decide o que, quando, onde, e como as informações serão divulgadas, já que, tal competência é exclusiva da diretoria editorial. Contudo, vejo a sociedade, muito mais como motivadora da mídia do que criadora, como sugere o Franklin.
Eu explico. Sem o leitor, ouvinte ou telespectador, a mídia fica sem a razão de ser. A mídia, na verdade, publica o que se pensa ser mais “interessante” para a maioria dos receptores. As aspas se devem ao fato que a curiosidade quase sempre sobrepõe à razão, e o interessante pode não ser a melhor informação, mas a mais desejada, ou seja, a que vende mais.
Quanto ao poder consignado à mídia, penso originar-se da própria democracia que permite que cada um, dentro dos ditames legais, produza da melhor forma possível, tudo aquilo que lhe possa trazer retorno. E os meios de comunicação, enquanto empresas, não são diferentes, objetivam o lucro, e por isso, procuram produzir informações que atendam a um número maior de receptores, já que não são apenas os receptores que estão em jogo, mas principalmente os anunciantes.
E onde está o poder da mídia? Penso que o poder da mídia está na persuasão, o que não é fácil. Primeiro porque é preciso informar de maneira convincente, e segundo e principal, porque é preciso ter público, pois já disse e repito: sem público não há mídia.
Agora, esse negócio que a internet está democratizando a mídia, para mim, é coisa para inglês ver, e só não acredita quem não quer. Tal como no papel ou na TV, os blogs são como jornais do interior, com pouca informação e menor ainda a participação, enquanto os já conhecidos meios de comunicação centralizam e dominam também na internet.
Tereza Cruvinel afirma em seu texto que uma democracia constrói sua agenda pelo conjunto de opiniões, informações e pelo conjunto da mídia pelos jornais, televisão, revistas e etc. Afirma ainda que no caso do Brasil há deformações. Ou seja, um grupo muito pequeno de empresas controla os maiores e mais poderosos veículos no país.
Cruvinel parece esquecer que vivemos num país capitalista onde quem consegue ser empresário utiliza-se da mão de obra (bem ou mal) remunerada para fazer multiplicar as suas posses. Neste mundo, banco engole banco, indústria engole indústria e assim por diante. Olha o Pão de Açúcar aí, acabou de engolir as Casas Bahia.
Mas voltando às mídias, já pensou se jornais, revistas e tv fossem iguais a botequins, onde em cada esquina se encontra um? Exceto em Brasília. Ainda assim, entre eles haveria de destacar alguns, quer seja pela qualidade ou pela promiscuidade.
Os poderosos veículos de comunicação que dominam a mídia, não nasceram grandes, cresceram e se firmaram ao longo do tempo. Antes deles tivemos a TV Tupi, Manchete, Revista O Cruzeiro e outros que sucumbiram na disputa pelo capital. Democraticamente, em nome do social, surgiram os sem terra, sem teto e penso que estão querendo criar também os sem mídia. Se criarem, me chamem que também tô nessa!
Há outra questão em que Tereza Cruvinel afirma: “O que melhorou muito com a internet nos últimos tempos é a oportunidade de reciprocidade, ou seja, da própria sociedade participar de alguma forma ou ter alguma possibilidade de interferência direta na gestão da mídia ou na expressão de suas opiniões”.
Ora, ora! Tenho que concordar que de fato a internete possibilitou ao internauta postar a sua opinião comentando determinada notícia ou informação. Mas é só isso. E diversas são as opiniões, umas a favor outras contra, contudo, nenhuma delas representa o pensamento da sociedade, mas o próprio.
“Temos um sistema que impõe temas e agendas para a sociedade que nem sempre são as que ela mesma deseja, necessita ou aspira. Então, por isso também que eu dei uma guinada profissional na minha vida que foi aceitar o desafio de construir o sistema público de comunicação”. Declara Cruvinel.
Concordo plenamente quanto à imposição do sistema. Quanto ao seu desafio profissional, auguro votos de pleno sucesso, mas me fica um fio de desconfiança, não na capacidade e integridade da presidenta, mas nos mandatários do poder público, no sentido de virem transformar esses canais de comunicação pública em cabides de empregos e/ou ferramentas eleitoreiras. Todo cuidado, ainda será pouco.
Contrário ao pensamento de Franklin Martins, Luiz Nassif afirma:
“Eu ainda acredito na imprensa como o quarto poder.” (Luiz Nassif)
E ensina:
“Quando se pensa nas democracias tradicionais, há os três poderes: o Legislativo, Executivo, Judiciário. E há também a imprensa de opinião. O que é imprensa de opinião? É aquela imprensa de influência crítica. Ela influencia políticas de governo, influencia o Judiciário, influencia o Legislativo. Essa imprensa de opinião é, por definição, sóbria; não pode ser leviana. Ela tem que aprofundar as suas matérias. Não é uma imprensa de larga circulação. Ela tem uma circulação razoável, mas a grande âncora dela é a credibilidade.”
Sou favorável ao pensamento do notável jornalista até o ponto em que afirma que a imprensa de opinião tem que aprofundar as suas matérias.
Contudo, quanto à mensuração da circulação versus credibilidade, sou da opinião de que a monta circulada, quer seja larga ou razoável, nem sempre determina o grau de credibilidade. Se assim fosse, o natural seria creditar maior credibilidade ao mais circulado - prova maior de aceitação pela sociedade receptora.
Portanto, penso que a Imprensa de Opinião, seja ela de larga, razoável, ou diminuta circulação, são todas passíveis de credibilidade. Melhor seria se elas mergulhassem profundamente em suas matérias em busca da “maior verdade”, já que a absoluta não existe. De outra maneira, a credibilidade ficará sempre com quem mantiver maior poder de persuasão; e, quase sempre, é a que tem maior circulação.
Num segundo momento, Luiz Nassif continua a sua explanação:
“Então entramos num segundo tempo do jogo, que é esse novo público que surgiu. Às vezes se está falando da opinião pública. O que é opinião pública? Opinião pública é aquele bicho que circulava em torno dos jornais, que tinha uma relação passiva com os jornais, que aceitava o que vinha escrito dos jornais.”
Como é interessante essa tal de Opinião Publica! Ainda hoje, são raras às vezes em que valem para alguma coisa. Em meu pensar, esses cantinhos, de internet, jornais e revistas, destinados aos receptores, soam como o refrão: “Me engana que eu gosto”.
Não se avexe, eu explico, aliás, eu já opinei sobre o assunto na análise do texto de Tereza Cruvinel. O fato de a internete possibilitar ao internauta comentar determinada notícia ou informação, não me faz crer que o veículo alterará o seu posicionamento editorial, mas abre caminho para conhecer as opiniões dos seus receptores. E é só isso, porque as diversidades de opiniões - contras e a favor - contudo, não representam o pensamento da sociedade, mas de cada internauta.
E Luiz Nassif continua:
“Esse público foi conduzido pela mídia, mas também a conduziu, nos anos 90. [...] Na Campanha do Impeachment e outros escândalos a opinião pública era facilmente manipulável. Era um público que se comportava como uma torcida organizada. Ela queria sangue e a imprensa fornecia sangue. [...] Mas há um outro ponto importante: nós temos um modelo institucional muito falho no Brasil. São raros os políticos, por exemplo, que agem dentro das regras. O mesmo vale até para os juízes.”
Finalmente um ponto comum entre a minha opinião e a do nobre escritor. Ainda assim, me atrevo a acrescentar outros manipuladores da opinião pública em relação aos atos escandalosos que se apresentam em nosso país.
Penso que todos já vimos e ouvimos a afirmação de que foi a Rede Globo quem elegeu e destituiu o ex-presidente Color de Melo. Até acredito que ela teve uma enorme participação, mas não foi só ela, as outras mídias também tiveram participações relevantes. Agora, o que pouca gente fala, ou publica, e que teve influência significativa, naquele e noutros episódios, foi a ação dos Diretórios Estudantis ligados à CUT e ao PT (oposição à época), os quais movimentaram os estudantes e toda a geração jovem para saírem em passeatas pelas ruas e praças de todo o Brasil.
Prova disso, tivemos recentemente no episódio da corrupção no governo distrital em Brasília (DF), onde os estudantes, novamente capitaneados pela CUT e PT voltaram para as ruas em busca da cassação do governador corrupto – Arruda (DEM) e todos os seus asseclas.
Aplaudi sentado, e só não aplaudi de pé, porque o mesmo não aconteceu por ocasião do mensalão que envolveu políticos de variados partidos e principalmente do PT. Olha aí, os interesses próprios.
Nassif exemplifica:
“[...] aquele escândalo do Roberto Jéferson, por exemplo, em cima de uma propina de apenas 3 mil reais. Eu escrevi um capítulo sobre essa história da Veja, sobre quem armou aquela cena, o episódio dos grampos nos Correios. O autor era um lobista que tinha sido afastado pelo esquema do Roberto Jéferson.”
Ora, ora, nobre Nassif, a mim não importa quem praticou, armou, ou se o valor da propina foi 3 mil ou 3 milhões, o que importa é que tanto um como outro é ilegal e imoral. Verdadeiro descalabro - vocábulo muito em voga na atualidade brasileira, em que todos deveriam ser legalmente punidos.
E Nassif finaliza:
“É por isso que eu sou muito otimista em relação às novas mídias. A grande vantagem é que não vai ter mais o grande pai branco para dominar. Seja governo, seja TV Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, seja revista Veja. Porque o jogo agora vai ser um jogo de conhecimento, um jogo em que as armas se igualam, para quem tiver mais informação, as melhores avaliações.”
Onde fica esse país senhor Luiz Nassif? Porque aqui no Brasil, meu caro, como diz Silvio Santos, EU SÓ ACREDITO VENDO!
Nenhum comentário:
Postar um comentário