quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Análise do Apagão - 2001

Apagão 2001.

Jarbas Oliveira


Devido a recente falta de energia elétrica que deixou às escuras diversos pontos do país, com concentração maior no sudeste, o assunto “Apagão” voltou a ser amplamente discutido, tanto nas mídias quanto nos meios políticos, e também nas Universidades, inclusive ressuscitando o apagão de 2001.

Na Universidade pediram-nos para elaborar um trabalho que mostrasse o comportamento dos responsáveis na pré-crise, crise e pós-crise relacionado ao acontecimento de 2001.

Para isso, naveguei por diversos sítios e blogues em busca de informações sobre o tema “Apagão 2001” e, indefinidos são os números de inserções, porém, nos que tive acesso mostraram-se parciais, ora quanto à defesa, ora quanto à acusação. Preocuparam-se, muito mais, em encontrar culpados do que causas.

Parece que o “Apagão 2001“ ressuscitou, depois do ocorrido em novembro próximo passado. Fazem, agora, um paralelo entre os dois casos, só que continuam buscando culpados e não as causas.

O tema virou discurso político. No primeiro caso, os opositores dizem que ocorreu foi por falta de investimentos, enquanto os outros afirmam que a causa foi por falta de chuvas; no caso recente, esse quadro se inverteu. Quem era acusador em 2001 passou a defender em 2009, e vice-versa.

Acessei o blogue do Luiz Nassif e lá encontrei uma matéria assinada pelo “Stanley Burburinho”, onde ele faz uma retrospectiva (de 1995 a 2001) relacionando os alertas aos problemas energéticos.

Nessa mesma matéria, Burburinho apresenta uma entrevista com o professor Ildo Sauer da Universidade de São Paulo, engenheiro especialista na área, na qual ele classificou de “irresponsável” a política energética do governo federal, e disse que não foi a falta de chuvas que provocou o colapso.

[…] “Precisamos desmascarar a grande mentira do governo de que vai faltar energia porque não choveu. Faltaram investimentos. No ano passado fizemos uma palestra na Câmara dos Deputados mostrando os riscos de um colapso energético, porém o diretor da Operadora Nacional de Sistemas (ONS) disse que não teria problemas porque iria chover”, (Ildo Sauder).
Buruburinho continua:
[...] Sauder criticou acidamente as medidas anunciadas pelo governo para reduzir o consumo energético em 20%. “As medidas rasgam a constituição, não têm sustentação jurídica. O tarifaço é injustificado e castiga a população. É pior que um castigo físico”.
Até então, acordava plenamente com a idéia do texto, e via na retrospectiva a pré-crise e no apagão a crise e nas medidas tomadas, a pós-crise do nosso caso. Porém, a veemente crítica às medidas de redução do consumo energético me fez acordar, empinar as orelhas, e, antes de seguir adiante, buscar e conhecer melhor o autor da ácidas críticas.

Não fiquei surpreso, pelo contrário até me arrepiei com raiva de mim mesmo, por causa da mania que tenho de acreditar em tudo que leio, até que se prove o contrário.

E não foi sem razão a minha busca à biografia do autor, pois o parecer, que para mim parecia coberto de conhecimentos técnicos, evaporou-se como a própria energia nos apagões.

O nobre especialista se declarou seguidor do PT, já naquela época. Ou seja, o parecer que deveria ser técnico perdeu a razão e passou a ser partidário. Mas, quando foi que ele fez essa declaração de amor ao PT? Exatamente (no segundo mandato do PT) por ocasião da sua “saída” do cargo de diretor da Petrobrás:

“Fiquei na Diretoria de Gás e Energia da Petrobras quatro anos e oito meses. Mas acompanho essa área há quase duas décadas como militante do Partido dos Trabalhadores e em boa parte do tempo também como colaborador do Instituto Cidadania, que assessorou o presidente Lula em suas campanhas pela Presidência”. Declarou o militante.

Agora, após o incidente do apagão 2009, Sauder retorna à mídia para tecer novamente seu parecer “técnico” sobre o assunto, conforme entrevista publicada no sitio Terra Magazine:

“Falar que foi um evento climático, não justifica nada, é uma explicação furada, porque os componentes do sistema são feitos para aguentar" (Ildo Sauder).
Segundo o redator de Terra Magazine, para Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras e um dos diretores do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), a falha está na "gestão e coordenação" do Ministério de Minas e Energia, comandado por Edison Lobão, antecedido por Silas Rondeau e Dilma Rousseff, hoje ministra chefe da Casa Civil. Sauer acredita que a "gestão do sistema de energia precisa ser revista". E defende que a ministra Dilma deveria ter feito isso em 2003 e 2004 para sanar falhas deixadas pelo governo FHC em Energia.
“O problema está na coordenação muito tênue que existe em Brasília, que já existia no governo anterior, mas que não foi reformada o suficiente neste governo. A reforma de 2003-2004 era a hora de revisar todos esse problemas, como o do abuso tarifário, que é leniência da regulação com o poder do governo, a falta de confiabilidade e o benefício dado à especulação.”

Finalizando, gostaria muito de poder analisar friamente a crise energética brasileira, de 2001, mas se o próprio Sauder, especialista nessa área, entende que até o momento a tão necessária reforma do setor ainda não foi realizada, resta-nos “acreditar” que a crise continua. Só que, desde aquela época, ela foi transformada em discursos eleitoreiros, por políticos e/ou partidários; e o interessante é que ela (a crise) sempre precede ao pleito eleitoral.

2 comentários:

  1. Jarbas de Oliveira,seu texto o condena,(Tucano de carteirinha)!

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    1. Não sou político partidário, mas partidário de uma política responsável e você?

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