
TRIBUTO AO AMIGO NELSON VILASBOAS
Escrito em 14/10/2007
O Meu amigo Elias Xavier – Nego Elias – é quem está rindo à toa, ou melhor, rindo para as paredes, se é que elas existem lá no Céu.
Tamanha alegria se deve à sua indicação para comandar a recepção do nosso amigo Nelson Vilasboas. Que honra hem, Nego Elias?
Se bem o conheço, já convocou o seu irmão – Edmur –, para ajudá-lo, posso até imaginar a sua agitação e os cuidados com os mínimos detalhes:
– Atenção, pessoal! Anjos trompetistas de um lado, flautistas de outro, harpas e clarins ao centro. Querubins! Ponham-se, lado a lado, ao longo do tapete, bem próximo à entrada e, no momento em que Nelson chegar, ergam as suas espadas e formem a abobada. Esta servirá de sinal, para que o coro faça a introdução musical com aquele som do filme “Contatos Imediatos 3º Grau". Ó! Quero sentir o piso tremer!
Vislumbro você, Nego Elias! Vestido um smoking branco, gravata borboleta vinho, calçado de um lustroso social preto, bem barbeado, bigode aparado e o sorriso largo mostrando os dentes. O nervosismo lhe é natural; esfrega as mãos, retira o lenço do bolso e enxuga as gotas de suor que teimam em lhe molhar a testa.
Contudo, ainda ouço você dizendo:
– Caprichem nesta apresentação! Por que, hoje, vamos recepcionar o meu grande amigo, Nelson Vilasboas e, tudo quanto fizermos por ele, ainda será pouco.
Você está coberto de razão, Nego Elias! Então, para que o leitor possa conhecer algo sobre a vida desse nosso amigo, vamos relatar um pouco das coisas que sabemos e que tivemos a honra de, às vezes, participar. Antes, porém, quero lhe contar que quando fomos nos despedir do amigo, eu e Ana Maria reencontramos com os nossos outros velhos amigos: Jair Ruas e Lourdinha, Ari e Dione, Juventino (Juju) Campos, João Marques e Estefânia, Fátima “de Josimar”, Leila de Tone de Zengla e, Hernani e Vera.
Lembra, Nego Elias! Foi você quem me apresentou ao Nelson. Ele, ainda solteiro, trabalhava na antiga Padaria Brasil da rua doutor Veloso; numa árdua tarefa que se iniciava diariamente às 5h da manhã. Ainda assim, não mediu esforços para prosseguir nos seus estudos e, para isso, diga-se de passagem, contou com a imprescindível e oportuna colaboração do irmão e amigo Hernani Vilasboas. A aprovação no vestibular de medicina foi uma festa.
Para aqueles que crêem que o dom da vida provém de Deus, podem acreditar, o Divino Mestre escolheu o servo, Nelson Vilasboas, para ajudá-lo. Bastou concluir o curso, para que milhares de crianças viessem chorar em suas mãos ao dar o primeiro suspiro. Foi assim, com o meu filho André Luiz (25 anos), foi assim, com o meu neto Samuel (três anos).
Isso, sem contar a Clínica, que ele criou, juntamente com outros colegas, com o objetivo de ofertar à população, consultas e exames médicos, a preços bem mais acessíveis. Portanto, Nego Elias! Não se pode discutir o respeito e o carinho que as centenas de clientes, colegas e assistentes e muitos outros amigos nutrem por ele.
O trabalho profissional, é verdade, o consumiu egoisticamente. Já não tinha mais tempo para nossas reuniões festivas. Ari, certa vez, me confidenciou que, em algumas das vezes em que foi à casa de Nelson, teve que encerrar a visita, ou acompanhá-lo até o hospital, onde fora atender a chamados urgentes. E, Nelson dizia: “São os ossos do oficio, meu caro Ari.”.
Esse afastamento ocorreu não só com ele, mas com todos nós. Vera de Hernani, bem disse: ”É...! A gente, agora, só se reúne quando um dos nossos está se despedindo”. Também, Nego Elias! A culpa é toda sua. Era você é quem coordenava essas reuniões, e, nos abandonou...!
Lembra desta foto, Nego Elias? Reveillon no AC - 78/79. Ela retrata a contagiante garra e alegria do nosso Amigo Nelson.
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Assim, restam-nos as lembranças dos nossos maviosos encontros e agitados reveillons. E de vocês, meus amigos! A nossa eterna saudade.
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