terça-feira, 14 de julho de 2009

A Sociedade da Interação

A Sociedade da Interação

Jarbas Oliveira

Olhando o dicionário vi que a palavra “interação” significa: Ação que se exerce mutuamente entre duas ou mais coisas, ou duas ou mais pessoas. Também, me vêm à lembrança, que há algum tempo atrás elaborei um trabalho acadêmico (síntese) sobre Cultura Popular Brasileira - “Os Sertões” de Euclides da Cunha e, para isso, fui buscar na obra: Imagens do Brasil – Franca, V.R. Veiga – os diferentes conceitos sobre o modo de ver e viver do sertanejo e, ainda, apresentar o nosso próprio conceito sobre o tema: qual seja:

“Viver em comunidade, compartilhar: espaço, representações, valores e práticas sociais, nos levam ao conceito de ‘pertença’ – ou seja, pertencemos à sociedade ou comunidade em que habitamos e, por isso, incorporamos os seus costumes, assim, qualquer comunidade ou sociedade pode ser conceituada como sertão”.

Caro leitor, a nossa exposição, retro, objetiva conceituar, genericamente, Sociedade e Interação, para daí discorrermos sobre o tema “Sociedade da Interação”, levando-se em conta o momento em que vivemos, onde a interação, a meus cálculos, ocupa mais de 60% do nosso tempo diário; haja vista, que interagimos até quando estamos dormindo, seja através de sonhos, pesadelos, ou mediante a transposição do espírito.

É isso mesmo! Transposição do espírito. Pois, segundo alguns amigos meus críveis no espiritismo, o nosso espírito, quando estamos dormindo, sai do nosso corpo – que eles (os meus amigos) denominam de “aparelho” –, a vaguear por ai, onde, só Deus sabe; e, quando acordamos o nosso “Bom dia” já é a primeira interação manifestada.

Daí para o nosso labor ou laser, ou sei lá o quê, seja ele qual for, nos interagimos a cada instante. E, como vivemos em sociedade, é possível, de forma sintética, afirmar: Ai está a “Sociedade da Interação”.

Contudo, caríssima leitora, nos reportamos, agora, ao conceito de pertença: “Pertencemos à sociedade ou comunidade em que habitamos e, incorporamos os seus costumes”, para nos dirigirmos ao mundo dos internautas, tanto pela via dos micro-computadores, quanto dos celulares, abarcado pelas novas mídias e tecnologias (para mim, evolução das velhas), que assanham o homo sapiens sapiens¹ do século XXI e, creio eu que dos próximos séculos também, pois não sabemos, nem imaginamos aonde isso vai parar.

O certo é, até então, que a comunicação digital, virtual, informatizada, internetizada, com fio, sem fio, virou uma parafernália sem controle e sem limites. Nela, com apenas alguns cliques do indicador no “mouse”, ou ação na tecla “enter”, encontramos, em fração de segundos, excelentes ou reles informações.

Interagimos na comunidade dos negócios: comprando, vendendo, ofertando, pesquisando;

Interagimos no esporte: assistindo, torcendo, perguntando, cantando, xingando, extravasando;

Interagimos na política: apoiando, votando, criticando, elogiando e principalmente se decepcionando diante de um cancro vivo chamado “Poder Governamental”, onde impera a corrupção, a mentira e as mazelas;

Interagimos nos CHATS, BLOGS, MSN, TWITTER, ORKUT e tantos outros, trocando idéias e informações, conhecendo pessoas, fazendo amizades e também relacionamentos que muitas das vezes se tornam íntimos;

Interagimos na educação buscando conhecimentos, formação intelectual, participando de fóruns onde pessoas, com o mesmo objetivo, levam e buscam experiências que formam mais do que informam.

Mas, não podemos nos esquecer, que esta mesma “Sociedade da Interação”, também está aberta a inserções medíocres, difamatórias, imorais, e nada aproveitáveis, indignas de serem citadas, mas que massificam e aguçam o intelecto e a curiosidade dos jovens e adolescentes, e de muitos adultos também. Estas inserções, a meu ver, constituem a maior preocupação que essa SOCIEDADE DA INTERAÇÃO precisa, urgentemente, se preparar para agir e interagir em defesa do nosso homo sapiens sapiens do futuro.

¹ Segundo a Enciclopédia Barsa, V. 7 pg. 364, a primeira palavra indica o gênero, a segunda a espécie e a terceira a subespécie ou variedade.

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