Capítulo I
As nuvens espessas e o vento que soprava, agitadamente,
tornavam aquela tarde de sábado escura e fria.
Reluzentes e faiscantes relâmpagos prenunciavam fortes e
barulhentos trovões causando arrepios e temor à pequena
Madalena, que se encolhia no colo da mãe em busca de proteção.
Martha, uma jovem mulher, próxima dos vinte anos, loira,
cabelos compridos e anelados, rosto ligeiramente arredondado
mostrava os doces lábios volumosos e vermelhos adornando
seus lindos e brilhantes dentes; no queixo, uma suave
cova ressaltava, ainda mais, a sua beleza; a pele bronzeada e
as mãos delicadas pareciam desacostumadas ao trabalho.
Levantou-se da rústica cadeira de madeira e com os braços
ladeou a trêmula criança de apenas três anos, abraçou-a carinhosamente,
beijou-lhe a testa e sussurrou:
– Não tenha medo, Madalena, a mamãe está aqui
pertinho de você.
Cantarolou, passeando pela sala, até a criança dormir.
Entrou no pequeno e único quarto ali existente, acomodou a
criança no berço, ergueu-se e acendeu o pequeno candeeiro
que se encontrava sobre uma mesa num canto do quarto.
Começou a despir-se, levantou os braços em direção à parte
posterior do pescoço, desabotoou o colchete da blusa que
emoldurava o seu corpo, tirou-a por cima da cabeça, deixan8
do nus os ristes seios, desabotoou a saia na altura da cintura
e com as mãos desceu-a, juntamente com a calcinha, retirando-
as aos pés, deixou a calcinha sobre a cama e pendurou a
saia e a blusa num cabide fixado atrás da porta.
Encontrava-se, neste momento, liberta e inteiramente nua;
sob os reflexos da parca luz do candeeiro olhava a si mesma,
vislumbrando as linhas que davam forma ao seu esbelto e
torneado corpo, que nem mesmo o sol se dispôs a estragá-lo.
Colocou-se à frente do pequeno espelho pendurado num
prego fixado numa das paredes; fitou-o, esboçou um sensual
sorriso e deixou-se vaguear em devaneios, nas ondas ilusórias
dos seus pensamentos.
Viajou... flutuou... libertou-se, estava longe...; deslizava, suavemente,
as mãos sobre o próprio corpo, descendo-as à altura
das macias coxas e, se espelho falasse, certamente diria:
“Eis aqui uma soberba, formosa e exuberante beleza, digna
dos reflexos do mais imponente espelho, esta, sim, vale a pena
refletir”.
Martha encontrava-se dispersa, seu momentâneo mundo
estava totalmente colorido, uma pintura de fazer inveja aos
mais conceituados artistas; ermo total, Deus sabe onde.
Martha sonhava, não estava lá.
A “mãe natureza” incumbiu-se de despertá-la de mais um dos
seus lindos sonhos. Um intrometido trovão pareceu sacudir
o mundo; Madalena deu um grito de pavor, começou a chorar;
a mãe, também assustada, voltou-se ao encontro da filha;
ainda nua, deitou-se ao seu lado, acariciou-a, sussurrou novamente
ao seu ouvido, Madalena tornou a dormir.
De volta ao seu mundo, Martha ouvia, agora, o canto dos incansáveis
grilos noturnos, o tilintar da chuva batendo contra
o telhado, os coaxares, agonizantes, dos sapos “cururus” e o
pio, agourento, de uma coruja parda acomodada sobre o ga
lho de uma árvore próxima à janela do quarto.
Pensava na sua vida real, sabia onde estava, e perguntava a si
mesma: que tipo de vida eu posso oferecer à minha filha? Qual
será o seu, o meu, o nosso futuro? Adormeceu sem obter respostas.
Olá Jarbas!
ResponderExcluirA "vendedora de frutas" em questão na verdade não é nenhuma feirante( antes fosse )e tampouco vende frutas,na verdade o que está a venda é o corpo.Mas a questão não é essa,da vida dela ela faz o que quer.A questão é assim como não acho que "colarinhos brancos" não devem me representar e nem ao resto da nação,também acho que alguém sem o mínimo de experiência e que nem sabe o que é ética deva me representar.Se queremos mudar um país, devemos mudar nosso voto.Procure ler o texto novamente.
PS: Jesus sabia muito bem quem ele escolheu,se você estudar a fundo a vida de cada apóstolo vai perceber que de ignorantes eles não tinham nada,absolutamente nada.
Abraços Simone